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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Tipos de preconceito linguístico que você fala e, às vezes, nem sabe

Tipos de preconceito linguístico que você fala e, às vezes, nem sabe



Link para você divulgar este vídeo (copie e cole):

Um clássico termo preconceituoso que muita gente não sabe é a palavra “judiar”. Judiar quer dizer maltratar, fazer sofrer, e vem da palavra “judeu”, ou seja, quando você diz judiar está dizendo “tratar como os judeus foram tratados”. Que tal trocar por “maltratar”?
Nossa língua também é machista... Dois exemplos são. Primeiro, as palavras “patrimônio” e “matrimonio”. Pater vem do latim e é associada na nossa língua muitas vezes a “pai”. “Nomos” vem do grego e quer dizer “grupo social”. Patrimônio indica bens e está ligado ao       PAI! Já matrimônio tem o radical “mater” e quer dizer mãe. Matrimônio indica casamento e está ligado às MULHERES! Ou seja, o homem procura os bens e a mulher procura casamento. Não sou eu que estou dizendo, é a nossa língua portuguesa.
Toda língua é ideológica. Toda língua traz em si uma carga de ideologias, de pontos de vista, de julgamento de valores. José Luiz Fiorin, em seu livro “Linguagem e ideologia” aborda o assunto. Bakhtin e Foucault também abordam o assunto com profundidade. São na realidade dois dos maiores.
Outro exemplo de preconceito contra mulheres é que nossos plurais são necessariamente no masculino. Podemos ter 50 mulheres e um homem que o plural será masculino. Exceção ao caso é o plural de “avô” e “avó”, que vira “avós”.
Vimos exemplo de preconceito com judeus, com mulheres e é claro que nossa língua reforça o preconceito contra negros. Vejamos alguns...
“Denegrir” quer dizer tornar negro. Lista negra é a lista ruim, de perseguição, da morte. O humor cruel é o negro. “Serviço de preto”. “A coisa tá preta”. “Mercado negro”. Se alguma coisa é ruim em português, a chance de ela estar associada com os negros é imensa. Assim, afundamos uma cultura inteira também através da língua.
Muitas pessoas acreditam que o curso de letras é um curso em que as pessoas decoram a gramática. Nada mais equivocado e atrasado. Letras é um curso muito variado e, na minha opinião, uma de suas maiores riquezas é a Análise do Discurso. Além dela, recomendo o estudo de Etimologia e também de História da Língua. Recomendo muito que vocês procurem mais a respeito.

Se for do desejo de vocês, posso fazer no mês que vem uma sequência para esse vídeo, já que não faltam exemplos de preconceitos embutidos em nossa língua, preconceitos que ajudam a elite a se consolidar como elite e a manter os “inferiores” lá embaixo, cá embaixo?!

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