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sábado, 25 de julho de 2015

Análise, resumo e vídeo do livro Capitães da areia, de Jorge Amado - Canal Digitalismo

Análise e resumo de Capitães da areia, de Jorge Amado, por Fernando Sales



Análise e resumo do livro Capitães da areia, de Jorge Amado, por Fernando Sales


CAPITÃES DE AREIA
Jorge Amado 

- Geração de 1930 – engajamento político, crítica social
- Romance infanto-juvenil
- Forte apelo popular
- Valorização da região (Bahia)

Os Capitães da Areia são heróicos, "Robin Hood"s que tiram dos ricos e guardam para si (os pobres). O Comunismo é mostrado como algo bom. No geral, as preocupações sociais dominam, mas os problemas existenciais dos garotos os transformam em personagens únicos e corajosos.

Os Capitães da Areia são um grupo de meninos de rua. O livro é dividido em três partes. Antes delas, no entanto, vai uma seqüência de reportagens e depoimentos, explicando que os Capitães da Areia é um grupo de menores abandonados e marginalizados, que aterrorizam Salvador. Os únicos que se relacionam com eles são Padre José Pedro e uma mãe-de-santo, Don'Aninha. O Reformatório é um antro de crueldades, e a polícia os caça como adultos antes de se tornarem um. A primeira parte em si, "Sob a lua, num velho trapiche abandonado" conta algumas histórias quase independentes sobre alguns dos principais Capitães da Areia (o grupo chegava a dezenas, morando num trapiche abandonado, mas tinha líderes). Pedro Bala, o líder, depois de vencer o caboclo Raimundo, de longos cabelos loiros e uma cicatriz no rosto, uma espécie de pai para os garotos, mesmo sendo tão jovem quanto os outros, que depois descobre ser filho de um líder sindical morto durante uma greve; Volta Seca, afilhado de Lampião, que tem ódio das autoridades e o desejo de se tornar cangaceiro; Professor, que lê e desenha vorazmente, sendo muito talentoso; Gato, que com seu jeito malandro acaba conquistando uma prostituta, Dalva; Sem- Pernas, o garoto coxo que serve de espião se fingindo de órfão desamparado (e numa das casas que vai é bem acolhido, mas trai a família ainda assim, mesmo sem querer fazê-lo de verdade); João Grande, o "negro bom" como diz Pedro Bala, segundo em comando; Querido-de-Deus, um capoeirista amigo do grupo, que dá algumas aulas de capoeira para Pedro Bala, João Grande e Gato; e Pirulito, que tem grande fervor religioso. O apogeu da primeira parte é dividido em, quando os meninos se envolvem com um carrossel mambembe que chegou à cidade, e exercendo sua meninez; e quando a varíola ataca a cidade, matando um deles, mesmo com Padre José Pedro tentando ajudá-los e indo contra a lei por isso. A segunda parte, "Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos", surge uma história de amor quando a menina Dora torna-se a primeira "Capitã da Areia", e mesmo que inicialmente os garotos tentem tomá-la a força, ela se torna como mãe e irmã para todos. (O homossexualismo é comum no grupo, mesmo que em dado momento Pedro Bala tente impedi-lo de continuar, e todos eles costumam "derrubar negrinhas" na orla.) Professor e Pedro bala se apaixonam por ela, e Dora se apaixona por Pedro Bala. Quando Pedro e ela são capturados (ela em pouco tempo passa a roubar como um dos meninos), eles são muito castigados, respectivamente no Reformatório e no Orfanato. Quando escapam, muito enfraquecidos, se amam pela primeira vez na praia e ela morre, marcando o começo do fim para os principais membros do grupo. "Canção da Bahia, Canção da Liberdade", a terceira parte, vai nos mostrando a desintegração dos líderes. Sem-Pernas se mata antes de ser capturado pela polícia que odeia; Professor parte para o Rio de Janeiro para se tornar um pintor de sucesso, entristecido com a morte de Dora; Gato se torna um malandro de verdade, abandonando eventualmente sua amante Dalva, e passando por Ilhéus; Pirulito se torna frade; Padre José Pedro finalmente consegue uma paróquia no interior, e vai para lá ajudar os desgarrados do rebanho do Sertão; Volta Seca se torna um cangaceiro do grupo de Lampião e mata mais de 60 soldados antes de ser capturado e condenado; João Grande torna-se marinheiro; Querido-de-Deus continua sua vida de capoeirista e malandro; Pedro Bala, cada vez mais fascinado com as histórias de seu pai sindicalista, vai se envolvendo com os doqueiros e finalmente os Capitães de Areia ajudam numa greve. Pedro Bala abandona a liderança do grupo, mas antes os transforma numa espécie de grupo de choque. Assim Pedro Bala deixa de ser o líder dos Capitães de Areia e se torna um líder revolucionário comunista.

Este livro foi escrito na primeira fase da carreira de Jorge Amado, e notam-se grandes preocupações sociais. As autoridades e o clero são sempre retratados como opressores (Padre José Pedro é uma exceção mas nem tanto; antes de ser um bom padre foi um operário), cruéis e responsáveis pelos males. Os Capitães da Areia são tachados como heróis no estilo Robin Hood. No geral, as preocupações sociais dominam, mas os problemas existenciais dos garotos os transformam em personagens únicos e corajosos, corajosos Capitães de Areia de Salvador.
 
Personagens
Pedro Bala: Era um jovem loiro de 15 anos, que tinha um corte no rosto. Era o chefe dos Capitães da Areia, ágil, esperto, respeitador e sabia respeitar a todos. Saiu do grupo para comandar e organizar os Índios Maloqueiros em Aracaju, desejando como líder do grupo Barandão. Depois disso ficou muito conhecido por organizar várias greves, como perigoso inimigo da ordem estabelecida.
João Grande: Negro, mais alto e mais forte do bando. Cabelo crespo e baixo, músculos rígidos, tem 13 anos. Seu pai, um carroceiro gigantesco, morreu atropelado por um caminhão, quando tentava desviar o cavalo para um lado da rua. Após a morte de seu pai, João Grande não voltou mais ao morro onde morava, pois estava atraído pela cidade da Bahia. Cidade essa que era negra, religiosa, quase tão misteriosa como o verde mar. Com nove anos entrou nos Capitães de areia. Época em que o Caboclo ainda era o chefe. Cedo, se fez um dos chefes do grupo e nunca deixou de ser convidado para as reuniões que os maiorais faziam para organizar os furtos. Ele não era chamado para as reuniões porque ele era inteligente e sabia planejar os furtos, mas porque ele era temido, devido a sua força muscular. Se fosse para pensar, até lhe doía a cabeça e os olhos ardiam. Os olhos ardiam também quando viam alguém machucando menores.Então seus músculos ficavam duros e ele estava disposto a qualquer briga. Ele era uma pessoa boa e forte, por isso, quando chegavam pequeninos cheios de receio para o grupo, ele era escolhido o protetor deles. O chefe dos capitães de areia era amigo de João Grande não por sua força, mas porque Pedro o achava muito bom, até melhor que eles. João Grande aprende capoeira com o Querido-de-Deus junto com Pedro Bala e Gato. João Grande tem um grande pé, fuma e bebe cachaça. João Grande não sabe ler. João Grande ,era chamado de Grande pelo professor, admirava o professor. O professor achava João Grande um negro macho de verdade.
Dora: Morreu de uma febre muito forte, depois de se tornar esposa de Pedro Bala*. Morreu como uma santa, pois havia sido boa. *Para ele, virara uma estrela.
Sem-Pernas: Aproveitava-se de sua deficiência física para entrar nos lares. Certa vez, quase ficara em um, por ser muito bem tratado, mas permaneceu fiel ao grupo. Morrera se jogando de um penhasco (elevador), depois de muito correr fugindo da polícia após um roubo. Ele preferira morrer do que se entregar.
Professor: Era o leitor e artista da turma. Com seu dom de pintar, fora ao "Rio de Janeiro" tentar sucesso. Lá com os quadros dos Capitães da Areia ficou famoso.
Boa-Vida: Era mais um malandro da cidade, que fazia sambas e cantava pelas ruas, nas calçadas, nos bares, a "vagabundar".
Querido-de-Deus: Ensinava os meninos a lutar capoeira. Todos no trapiche o admiravam. Era pescador.
Dalva: Era uma mulher de uns trinta e cinco anos, o corpo forte, rosto cheio de sensualidade. O Gato a desejou imediatamente.
Pirulito: Garoto magro e muito alto, olhos encovados e fundos. Tinha Hábito de rezar.
Volta-Seca: Mulato sertanejo. Viera da caatinga. tinha como ídolo o cangaceiro Lampião.
O Gato: Candidato a malandro do bando, era elegante, gostando de se vestir bem. Tinha um caso com a prostituta, Dalva, que lhe dava dinheiro, por isso, muitas vezes, não dormia no trapiche. Só aparecia ao amanhecer, quando saía com os outros, para as aventuras do dia.
João-de-Adão: Estivador, negro fortíssimo e antigo grevista, era igualmente temido e amado em toda a estiva. Através dele, Pedro Bala soube de seu pai.

Trecho do livro em que Sem-Pernas mostra sua indignação com seu estilo de vida

“Todos procuravam um carinho, qualquer coisa fora daquela vida: o Professor naqueles livros que lia a noite toda, o Gato na cama de unia mulher da vida que lhe dava dinheiro, Pirulito na oração que o transfigurava, Barandão e Almiro no amor na areia do cais. O Sem-Pernas sentia que uma angústia o tomava e que era impassível dormir. Se dormisse viriam os maus sonhos da cadeia. Queria que aparecesse alguém a quem ele pudesse torturar com dichotes. Queria uma briga. Pensou em ir acender um fósforo na perna de um que dormisse. Mas quando olhou da porta do trapiche, sentiu somente pena e uma doida vontade de fugir. E saiu correndo pelo areal, correndo sem fito, fugindo da sua angústia.”

- Episódio da troca de caixas (amante contrata capitães para recuperar uma caixa com cartas comprometedoras)
- Episódio do carrossel (Volta Seca e Sem-Pernas), a tentativa do padre de pagar para os meninos andarem no carrossel
- Episódio em que Pedro recupera a imagem de Ogum (orixá das causas jurídicas) da cadeia
- Episódio em que Pirulito rouba uma imagem do menino Jesus
- Episódio em que Sem-Pernas é acolhido com carinho em uma casa de família e a acaba traindo seus donos
- Episódio em que Professor pinta um homem que lhe chama para sua casa, para lhe ajudar, e Professor não vai
- Episódio em que um menino, Almiro, pega alastrim (uma espécie de varíola) e é encaminhado para o lazareto (leprosário), de onde ninguém voltava
- Episódio em que Boa-Vida vai para o lazareto e volta curado
- Episódio em que uma loirinha de 13 anos, Dora, perde os pais e vai parar, junto com seu irmão de 6 anos, Zé Fuinha, no trapiche, onde querem estuprá-la, mas acaba ficando como “mãe” de todos, irmã de alguns e amor de Pedro Bala
- Pedro Bala e Dora são presos e enviados ela ao orfanato e ele ao reformatório
- No reformatório, Pedro Bala apanha muito, vai para a cafua (solitária), mas não entrega seus amigos e consegue fugir com a ajuda deles. Dora também consegue fugir, com a ajuda dos meninos, mas com uma grande febre. Estão todos no trapiche, e ela sofrendo, entrega-se a Pedro Bala e morre, logo depois.
- Episódio em que Professor vai tentar vida como pintor no Rio de Janeiro e assombrar o país
- Episódio em que Pirulito deixa de roubar e passa a trabalhar honestamente, conseguindo com o auxílio do padre tornar-se frade. O padre consegue enfim a paróquia que tanto queria, em meio aos cangaceiros, porque ninguém a queria, mas ele se anima porque cangaceiros são como capitães de areia crescidos.
- Boa-Vida torna-se o típico malandro
- Episódio em que Sem-Pernas é acolhido em casa de uma solteirona, que se oferece todas as noites, mas que não se entrega completamente. De raiva, ele rouba todo o ouro dela e depois se ri, furioso, no trapiche, enquanto ela chora.
- Com a alta do cacau, prostitutas de todo o Brasil foram para Ilhéus, inclusive Dalva, que levou O Gato, agora já próximo dos 18 anos, e todo chique, um legítimo vigarista!
- Volta Seca foi encontrar os maloqueiros do sertão e acaba encontrando Lampião e entrando para seu grupo
- Sem-Pernas morre em uma perseguição policial
- Professor faz sucesso como pintor no Rio
- O Gato é capturado
- Volta Seca mata 35 pessoas como cangaceiro e acaba preso, quando chega a 60 marcas. Condenado a 30 anos de prisão
- João Grande torna-se marinheiro
- Pedro Bala participa da greve dos condutores e torna-se um revolucionário. É mandado para Aracaju, para cuidar dos índios Maloqueiros, enquanto Alberto, o estudante que se tornou amigo do grupo, ficaria com os Capitães de Areia, no que precisasse. Barandão era o novo chefe.
- Pedro Bala passa a ser militante importante em cinco estados, lutando contra o sistema, é preso e no dia que foge os pobres fazem festa

FUVEST
QUESTÃO 14
O romance Capitães da Areia, de Jorge Amado, é um documento sobre a vida dos meninos de rua de Salvador. A sua primeira edição (1937) foi apreendida e queimada em praça pública pouco depois de implantada a ditadura de Getúlio Vargas. No trecho a seguir, o narrador nos conta como Pedro Bala, aos quinze anos, assumiu a liderança de um grupo que dormia num velho armazém abandonado do cais do porto.
"É aqui também que mora o chefe dos Capitães da Areia: Pedro Bala. Desde cedo foi chamado assim, desde seus cinco anos. Hoje tem quinze anos. Há dez que vagabundeia nas ruas da Bahia. Nunca soube de sua mãe, seu pai morrera de um balaço. Ele ficou sozinho e empregou anos em conhecer a cidade. Hoje sabe de todas as suas ruas e de todos os seus becos. Não há venda, quitanda, botequim que ele não conheça. Quando se incorporou aos Capitães da Areia (o cais recém-construído atraiu para suas areias todas as crianças abandonadas da cidade) o chefe era Raimundo, o Caboclo, mulato avermelhado e forte.
Não durou muito na chefia o caboclo Raimundo. Pedro Bala era muito mais ativo, sabia planejar os trabalhos, sabia tratar com os outros, trazia nos olhos e na voz a autoridade de chefe. Um dia brigaram. A desgraça de Raimundo foi puxar uma navalha e cortar o rosto de Pedro, um talho que ficou para o resto da vida. Os outros se meteram e como Pedro estava desarmado deram razão a ele e ficaram esperando a revanche, que não tardou. Uma noite, quando Raimundo quis surrar Barandão, Pedro tomou as dores do negrinho e rolaram na luta mais sensacional a que as areias do cais jamais assistiram. Raimundo era mais alto e mais velho. Porém Pedro Bala, o cabelo loiro voando, a cicatriz vermelha no rosto, era de uma agilidade espantosa e desde esse dia Raimundo deixou não só a chefia dos Capitães da areia, como o próprio areal. Engajou tempos depois num navio.
Todos reconheceram os direitos de Pedro Bala à chefia, e foi dessa época que a cidade começou a ouvir falar nos Capitães da areia, crianças abandonadas que viviam do furto."
Jorge Amado, Capitães da Areia, 50a ed.
Rio de Janeiro: Record, 1980, P. 26/7.
Pela leitura do texto, pode-se concluir que o romance pretende denunciar que tipo de problema?
·                    A) um problema econômico. (desvalorização do dinheiro);
·                    B) um problema de identidade (sem pai e sem mãe);
·                    C) um problema de social (vagabundo, preguiçoso);
·                    D) um problema educacional (falta de instrução);
·                    E) um problema social (a questão do menor abandonado).

26. (UFRGS) Assinale V ou F:
II - Em São Jorge dos Ilhéus e Capitães de Areia, Jorge Amado faz predominar as características culturais do povo baiano, com a descrição de rituais afro-brasileiros, danças e festas populares.

V





INSTRUÇÃO: Para responder às questões, identifique APENAS UMA ÚNICA alternativa correta e marque a letra correspondente na FOLHA DE RESPOSTAS.

O trapiche

            Sob a lua, num velho trapiche abandonado, as crianças dormem.
             Antigamente aqui era o mar. Nas grandes e negras pedras dos alicerces do trapiche as ondas ora se rebentavam fragorosas, ora vinham se bater mansamente. A água passava por baixo da ponte sob a qual muitas crianças repousam agora, iluminadas por uma réstia amarela de lua. Desta ponte saíram inúmeros veleiros carregados, alguns eram enormes pintados de estranhas cores, para a aventura das travessias marítimas. Aqui vinham encher os porões e atracavam nesta ponte de tábuas, hoje comidas. Antigamente diante do trapiche se estendia o misterioso mar-oceano, as noites diante dele eram de um verde escuro, quase negras, daquela cor misteriosa que é a cor do mar à noite.
             Hoje a noite é alva em frente ao trapiche. É que na sua frente se estende agora o areal do cais do porto. Por baixo da ponte não há mais rumor de ondas. A areia invadiu tudo, fez o mar recuar de muitos metros. Aos poucos, lentamente, a areia foi conquistando a frente do trapiche. (...)
             Durante muitos anos foi povoado exclusivamente pelos ratos que o atravessavam em corridas brincalhonas, que roíam a madeira das portas monumentais, que o habitavam como senhores exclusivos. Em certa época um cachorro vagabundo o procurou como refúgio contra o vento e contra a chuva. Na primeira noite não dormiu, ocupado em despedaçar ratos que passavam na sua frente. (...) Mas aquele era um cachorro sem pouso certo e cedo partiu em busca de outra pousada, o escuro de uma porta, o vão de uma ponte, o corpo quente de uma cadela. E os ratos voltaram a dominar até que os Capitães da Areia lançaram as suas vistas para o casarão abandonado.
             Neste tempo a porta caíra para um lado e um do grupo, certo dia em que passeava na extensão dos seus domínios (porque toda a zona do areal do cais, como, aliás, toda a cidade da Bahia, pertence aos Capitães da areia), entrou no trapiche.
             Seria bem melhor dormida que a pura areia, que as pontes dos demais trapiches onde por vezes a água subia tanto que ameaçava              levá-los. E desde esta noite uma grande parte dos Capitães da Areia dormia no velho trapiche abandonado, em companhia dos ratos, sob a lua amarela. Na frente, a vastidão da areia, uma brancura sem fim. Ao longe, o mar que arrebentava no cais. Pela porta viam as luzes dos navios que entravam e saíam. Pelo teto viam o céu de estrelas, a lua que os iluminava.
AMADO, Jorge. Capitães da Areia. 119 ed. Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 19-20

 

Questão

Capitães da Areia era o nome dado a

A)    um grupo de bandidos que dominavam as ruas de Salvador, na década de 1920.
B)    oficiais que haviam perdido o posto e agora reuniam-se em um grupo de malfeitores.
C)    uma corporação de estivadores do cais que se uniram para fazer uma greve contra os baixos salários.
D)    um grupo de crianças e adolescentes, abandonados ou fugidos, que sobreviviam praticando furtos ousados.
E)     uma gangue de marginais que amedrontavam os trabalhadores do cais da cidade da Bahia e ocuparam o trapiche.

Questão 02        
No livro, entre os Capitães da Areia, vivia apenas uma mulher, Dora. Esta personagem

A)    tem um papel importante, encarnando, em momentos diversos, a figura de mãe, irmã e esposa.
B)    representa a força feminina, nas obras de Jorge Amado, a partir da questão da prostituição e da marginalização social.
C)    provoca uma série de problemas entre o grupo, que perduraram até a sua morte, por causa da varíola.
D)    traz alívio para os pequenos que faziam parte do grupo, porque, enquanto os outros saíam para os roubos, ela se responsabilizava pelos que ficavam.
E)     tenta conseguir emprego de empregada doméstica, mas não conseguiu, porque tinha contraído varíola, epidemia que assolou a cidade, provocando óbitos e medo.


Questão 85 da prova de 2013 (ver) – FUVEST

UNICAMP
Questão 9
Leia a passagem seguinte, de Capitães da areia:
Pedro Bala olhou mais uma vez os homens que nas docas carregavam fardos para o navio holandês. Nas largas costas negras e mestiças brilhavam gotas de suor. Os pescoços musculosos iam curvados sob os fardos. E os guindastes rodavam ruidosamente. Um dia iria fazer uma greve como seu pai... Lutar pelo direito... Um dia um homem assim como João de Adão poderia contar a outros meninos na porta das docas a sua história, como contavam a de seu pai. Seus olhos tinham um intenso brilho na noite recém-chegada. (Jorge Amado, Capitães da areia.
São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p. 88.)

a) Que consequências a descoberta de sua verdadeira origem tem para a personagem de Pedro Bala?

b) Em que medida o trecho acima pode definir o contexto literário em que foi escrito o romance de Jorge Amado?

Resposta Esperada
a) (2 pontos)
A descoberta da verdadeira origem de Pedro Bala tem a consequência de atribuir um sentido às ações da personagem. O que até então fora apenas luta pela sobrevivência e reação instintiva contra a violência sofrida, adquirirá um sentido de missão transformadora, com a superação da alienação política inicial. De líder de um bando de infratores, sem qualquer consciência ideológica, Pedro Bala se desenvolverá no sentido de se tornar militante de um movimento de transformação social, buscando seguir os passos do pai, em quem passa a se espelhar. Ele almeja para si uma imagem heroica similar à do pai. 

b) (2 pontos)

Jorge Amado pertence à geração dos romancistas da década de 30. Em referência a esse período, fala-se geralmente em romance social. O romance é visto como um instrumento de interpretação e de transformação da realidade. Pode-se acrescentar que a construção de um herói positivo, no caso desse romance, aproxima o autor da vertente do realismo socialista.

DESCRIÇÃO: Esta é antes de tudo uma dica de leitura, formada por uma análise e um resumo do livro Capitães da areia, de Jorge Amado, escritor modernista brasileiro. Fernando Sales comenta a trajetória dos capitães de areia, tidos como marginais, destacando Pedro Bala, Sem Pernas, Pirulito, O Gato, Dora e outros. Além disso, algumas características de Jorge Amado são destacadas.
O Modernismo, em sua segunda fase, tinha sua vertente regionalista e de denúncia, o que se encontra claramente nessa obra.
Esse livro tem sido cobrado nos vestibulares da Fuvest e da Unicamp.

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