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sábado, 30 de novembro de 2013

LIVRO REINO SUB-IMUNDO - PUBLICAÇÃO 7- Novela Semanal Digitalista - Digitalismo


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(Na publicação, falávamos sobre como Esníguio enriqueceu com o mercado de alisamentos capilares).


Foi, é preciso que se reforce, através dessa prática que Esníguio conseguiu toda sua fortuna, o seu Everleste de cédulas, o seu Saiara de pedras preciosas, suas pilhas-recarregáveis-de-ouro, sua ideologia capetalcentrista, sua verba ingastável e até mesmo sua inigualável assistente. Ser o melhor numa profissão tão importante como aquela era ocupar a posição de maior estatos entre os escravos-da-mídia, os reinodistânticos.
Um de seus hábitos mais banais era fumar cigarros enrolados em notas de dez pólares e de cinqüenta auros; Tarja o olhava torto sempre que fazia isso. Outro sacrocostume seu era colecionar óculos e sapatos, de modo a adquirir um a cada turno do dia, e de madrugada ainda roubar os dos mendigos; Tarja doava semanal e secretamente metade das aquisições aos excluídos da política-do-calçado. Era o rei dos aniversários de cachorro e certa vez deu de presente a um deles um helicóptero da Segunda Guerra Outonal; sua assistente conseguia inevitavelmente convidar crianças aniversariantes para os mesmos aniversários, diminuindo o sentido absurdo da caninolatria.
João Martins! Não tape os olhos, não se esconda atrás de Sofia, sua bela e agreste esposa! Esníguio poderia, se quisesse, comprar sozinho a água doce do mundo para colocar em suas piscinas subterrâneas. Tinha submarinos da Anasa, aviões da Primeira Guerra Hibernada, carros intergalácticos. Mas, apesar do todo, sentia em si um estranho incômodo, que não era da ordem dos valores lisocultuadores: sentia-se descontente. Era óbvio que ninguém poderia saber daquilo, porque no Reino Sub-Imundo a felicidade é uma obrigação, sorrir é um protocolo e sentir-se mal é como ser, nos tempos antigos, um leproso, do qual todos se afastavam por trazer consigo uma automutilação contagiosa.
Interrompo. Interrompo porque está diante de nós, atlântidos-público, a Sociedade do Espetáculo!, também conhecida como Indústria da Bobo-Alegria, onde os palhaços-plantonistas espalham pelos ares uma falsa felicidade à qual, no fim das contas, nenhum deles realmente sente.
Prossigo. O primeiro desmotivador para a depressão de Esníguio foi sem dúvida o mesmo que assola qualquer humano masculino inexperiente ou inaprendente de qualquer sociedade: as mulheres. Que não gostavam dele, que só o usavam, que diziam que ele era somente um lustroso ser do por-fora. E chorava como choram as criancinhas quando perdem no jogo e apanham das mais fortes, ficando ensangüentadas. Coitadas.
Gustavo, triste era o fardo daquele tolo homem, que não percebia sua felicidade já encontrada: alisar cabelos, não obstante o estatos e o dinheiro, não o realizava. Esnygyo sentia estranhamente a pequenez de seu ofício tão importante naquela sua capital tão famosa, Padrid. Ele queria mais do que as tão desejadas chapinhas, feitas tanto por homens quanto por mulheres, madames, senhoras, donzelas, mocinhas, adolescentes, pansexuais, homenzarrões, modelos, crianças, moleques e todos. Queria desistir e simplesmente deixar seus cabelos crespos ao natural, o tolo, o sempre tolo, o patetanzil, e queria até mesmo parar de trabalhar em alisamentos...

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Foto de Esníguio, na intimidade

Parte IIIsto é um mercado?; Do concurso de beleza lisense, em que quem disputa não são as modelos; Da diferença entre duas vitórias

Socorro, atlântidos! Os capetalistas-produtores me pressionam de tal forma com sua Mídia-Atômica, que me vejo obrigado a falar estabanadamente sobre seus produtos! Comprem, comprem! Logo aqui um Sabonete-de-Gordura-Baleica-Multi-Insaturada, um Perfume-Importado-Diretamente-da-Pocilga-Melhores-Narinas, um pacote de Pastilhas-Saliva-do-Leão-para-a-Garganta!
(Ora, Úmero, é óbvio que isto é uma metaironia, é certo que esta pressão alheia, que em nada me aperta, muito me diverte. No entanto, necessito afetar certa coação para eles pensarem que exercem sobre mim sua vontade de poder: faço-me um pseudoescravo, na verdade, por puro sarcasmo. Além do mais, esta é também, sem dúvida, uma ótima maneira de agradar as lindas moças que nos circundam: a retrô-estilizada Karen e a bela paranoica Bea).
Pronto, é passado. Justo é dizer que os concursos de beleza do Reino Sub-Imundo tinham intenções francamente comerciais: comercialíssimos, diria José Dias, aquele esnobe semiengraçado, inventado por Canivete de Assis ou Guimarões Cravo, um desses dois derrepentistas fundamentais do povo superior.
Tais eventos eram o maior ponto de divulgação da Propaganda da Desnecessidade, tão venerada por lisenses. Ali surgiam os neolançamentos e os gerilançamentos, de todas as marcas de gosméticos, xampus, acondicionadores, cremes, pomadas, tratadores-capilares, pseudotratadores-capilares, odorizadores-de-eructação-e-ventosidade e todos os produtos mais amados pelas mulheres e tolerados pelos homens.
Nos concursos de capilatria, que logo veremos, minha bela Bea Rodrigues, minha obcecada pela beleza soberana, vendia-se realmente de tudo, pois esses funcionavam como uma Porta-da-Esperança para os criadores-de-produtos-inúteis-e-oportunistas. Seria uma aberração medonha falar de tudo que ali há... Mas como você, que é a linda Beatriz de um Fernando Sales, é curiosíssima quanto às tendências ginecocapilares, neste instante delas falarei ao menos um pouco.
Na seção noturnocultuadora, havia peças íntimas para serem mostradas, arrancadas ou fagocitadas – quando fosse Carnaval. Na seção música-sem-música, havia vestimentas para todos os gostos: pedaços de roupa para não-cobrir as moças que fossem dançar a música-do-corpo; shortículos para não passar calor, mas para provocar calor; enfim, havia até mesmo uma farrapoteca infinita de minivestidinhos e microssaículas tão minúsculos quanto chiques e caros para o caso de as supostas-meretrizes resolverem ir, e ir já preparadas, ao Forró-Roupa-de-Marca-e-Música-sem-Marca.
Atlântida Karen Winehouse, sua admiradora de homens desnutridos, já que resolvi adentrar no assunto, reservei para você a apresentação da seção...

Página 22

CONTINUA...

Na semana que vem, não perca a segunda parte do Concurso de Beleza Lisense!

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domingo, 24 de novembro de 2013

LIVRO REINO SUB-IMUNDO - PUBLICAÇÃO 6 - Novela Semanal Digitalista - Digitalismo

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CAPÍTULO II – A MOTIVAÇÃO PRIMEIRA DO RELATO: OS ALISADORES CAPILARES

Parte IDo fenômeno que dá nome e sentido ao presente livro; do fenômeno que não dá sentido à vida; o passador-de-chapinha.
“[Para mesquinhos] Tornar-se medíocre é a única moralidade que faz sentido”         F. Nietzsche

        Úmero, Bea, Lucas Salles, amigos atlântidos, amigos do peito, parceiros verdadeiros da nossa hercúlea Sociedade Atlântida, em tudo mais potente que o Reino Sub-Imundo! É chegado o momento de irmos fundo na escarrocivilização. Por ora, conhecemos sua simpatia. Agora, veremos seu terror. Já fica bem claro como somos etnopotentes e como, por isso, nunca poderemos entender perfeitamente as submentalidades lisenses.
Sim, porque era uma sociedade estranha, descabida e biofóbica. Os mais cínicos karvecistas ou os mais conservadores Dalai-Lhamas dificilmente conseguiriam encará-la. A santa mais pópi-estar de todos os contratempos, Mádi Terês de Qualcutá, ou o mais recluso monge zen-budista das regiões etetibetanas, não conseguiriam conceber a necroforma de vida ali louvada. Há somente um sentido e uma lei: mas os tambores ruflarão até chegarmos acolá.
Salles, deve lembrar-se de um tempo em que houve nanoimperialistas em Atlântida? Foi o pior do que tivemos: foi a laia, a reles, o vil; eram os baixotes com o desejo-de-potência dos gigantes. Mas creia – em toda sua asquerosidade, não se comparam aos habitantes da sociedade da imundície. Porque nunca será possível encontrar parentesco entre essa exótica sociedade a que estamos conhecendo e a nossa, amante do conhecimento, divinamente-culta e pós-pós-moderna.
Não me contenho mais, Úmero. Vem-me agora uma coceira na garganta, um não sei quê que me faz diretamente confessar: no Reino Sub-Imundo e Distante dos Alisamentos Capilares, todas as pessoas bonitas são obrigadas a ter os cabelos alisados. Não! Eles não enxergam beleza em nada que não seja o escorrimento inexpressivo, a monotonia-sequencial, aquela maniqueísmo da beleza abandonado por nós há séculos: a cabeleira alisada à base das chapas alisadoras, a que chamam simplesmente de “chapinhas”. Tanto é que sua principal lei escrita, anote bem, Bea, minha bela, para que aprenda, é: “Não é permitido que uma pessoa bonita fique um dia sequer sem alisar os cabelos, sob pena de condenação à sub-beleza, ou mesmo à feiura”.

Torna-se, portanto, necessário que lhes conte, atlantidoístas: a mídia reinodistântica dividia-se diante de uma pessoa que de fato acirrava a opinião cabelesca. Eis que surge uma terceira figura marcante neste nosso relato: Esníguio, o homem. E o acompanhando inseparavelmente, e para nós até mais interessante que ele, sua assistente e cantora em momentos de descontração, uma das mulheres paradoxalmente mais interessantes do reino, Tarja Durden. Logo falaremos dela.
Por ora, e por um lado, o jornal “As Mentiras que a Mídia Conta” imediatamente simpatizava com o referido rapaz e mostrava em suas páginas um desejo maciço de que ele vencesse, de que se sobre-e-super-pusesse, de que fosse além-do-humano: expunham suas fotos, sua fama, seu dinheiro, mostravam um lado positivo artificiosa-e-artificialmente-construído. Já o jornal “Verdades Com Que Ninguém Quer Deitar” não vislumbrava nele nada além de sua aparência-inferior e seu comportamento-interior: certa moleza, falta ou ausência de pulso e indecisão-constante que antipatizam a qualquer ser decidido na vida ou na vodca.

Página 19

Do nosso ponto de vista, enxergamo-lo assim:
Esníguio era um desses homens alisados, polidos, rigorosos, um cavalheiro mesmo, dos que tiram chapéu, abrem porta, engraxam sapatos e beijam pés. Se alguma mulher lhe dissesse: “Senta e cala”, provavelmente ele rolaria pelo chão só para agradá-la; e, por certo, seria repreendido, porque as instruções eram justamente para que ficasse só e somente sentado e calado. Pode-se dizer dele que, se fosse um cãozinho, seria púdol-na-coleira: estridente. Em traços gerais, era um servo, daqueles que as mulheres humilham, maldizem e comentam com as amigas nos banheiros públicos: “Esse rapaz não entende nada de nós”.
Mas era ricaço, magna-Thor, e estava acima da elite, acima do céu, acima do chapéu de Napoléo Bon-à-Parte, famoso michê-de-luxo distante. Portava de roupas caras, milagrosamente caras, monstruosamente auronárias, capazes de valer até mesmo a patente da Maicousoft, a fórmula da Coca-Esfola, o câncer do Méqui-Míquei: umas empresas de grande porte daquela sociedinha.
Seu emprego, por sua vez, era dos mais etnoimportantes do reino, afinal exercia a célebre função de alisador de cabelos; ou como a perifeía dizia: chapinhador; ou, ainda, como dizia a classe abestada: passador de chapinha. Sim, Karenzinha, veneradora dos cabelos cacheados, ele era um aplicador-das-técnicas-de-chapinhar-os-cabelos; era, como dizemos nós, atlântidos: um formulador-de-artificialidades-da-imagem.
Chapinha, para vocês atlântidos que desconhecem tal tortura autodesejada e inimaginável, é a prática de fritar e triturar os cabelos através de uma máquina com aparência de arma-de-fogo até que eles percam gradativamente sua resistência, sua força, seu vigor, sua beleza, e beleza natural... Ah, sim, ia me esquecendo disso, esses alisadores também servem à padronização absoluta dos cabelos escorridamente idênticos. Vejam uma foto que consegui nas Lojas Multi-Titica:


                                Efeitos reais de uma chapa alisadora de marca


Página 20

Na semana que vem, não perca o Concurso de Beleza Lisense!

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sábado, 16 de novembro de 2013

LIVRO REINO SUB-IMUNDO - PUBLICAÇÃO 5 - Novela Semanal Digitalista - Digitalismo

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A publicação anterior terminou na primeira frase do parágrafo abaixo...

O segurança, que se supõe neopotente, arregaça as mangas-da-camisa-emprestada e a cara do homem. Esse funcionário a que me referi estava adoentado pela “terno-fantasia”, doença que atacava os pobres do Reino Sub-Imundo, infiltrando neles um espírito-suíno que os fazia se sentirem como os capetalistas-seus-patrões, por se vestirem como eles, apesar de nunca entrar nem participar das festas, ficando sempre à porta estacionando os carros e carregando guarda-chuvas para que os engolidores de auros, suas esposas e seus filhotes não se molhassem.
O negro apanhou por nada. E nada, nesse caso, amigos, deve ser entendido como o fato de ter determinada cor da pele, determinada falta de dentição e indeterminada posição social. Porque ser pobre é pré-requisito para ser bandido, na concepção lisense. E o sangue jorra, a verdade chora, a autenticidade é quebrada, mas nenhum dente é quebrado, pois dentes não há.

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O que há é apenas um bafo de onça que por ali perfuma as narinas-de-plástico das madames super-recosturadas. O que há é apenas um senhor velho, barbudo, cabeludo, mal-cheiroso, pobre, de órgãos já podres, miserável, desprezado, portador de possíveis remelas, piolos, sarnas e perebas, um homem que não tem nem guarda-roupa nem usa guardanapo, visto que para este uso seria necessário antes comer – hábito este que lhe falta. As velhas o olham com a supremacia dos imortais, com a pré-potência dos sem-potência, não percebendo que a diferença delas para ele estava simplesmente em alguns mil ou milhões de auros, talvez herdados, roubados, conquistados em um casamento bem arranjado – ou em alguns mil ou dez mil dias que logo levariam todos ao túmulo, cadávares adiados que todos são, ou somos. Não nos admira concluir, Gustavo Caipira, solitário rapaz, que o Bar Bafo de Onça é incapaz de autoinspeção e vive o paradoxo da pseudonomenclatura: Bafo de Onça não entra.
Assim é que o negro fica estirado ao chão como uma criança que é repreendida por dizer a verdade. De dentro do bar, algum burguês oportunista, com fama de inteligente, cria uma fácil-máxima: “A escória ama o chão. Ou ao menos nele vive a maior parte do tempo”. Enquanto isso, a saliva do negro desce pelo meio-fio rumo ao esgoto, que parece temer ser poluído por tão medonho líquido. Não podemos deixar de rir do fato de que seus piolhos praticam salto em distância pelas cabeleiras alisadas das madames; de que seu hálito ainda paira, podre, pelo ar antes habitado por perfumes inebriantes; de que sua presença ainda infecta os assuntos antes levianos, e depois levianos, da classe adulterada pelas plásticas e reconstruída em corpos de plástico. Viva o silicone, o botox e as lipoaspirações!
Enquanto isso, a lombriga-solitária do enxotado senhor reclama por uma nutrição qualquer. O velho, neste instante, come terra e lambe a porta-de-ferro do bar – sintomas certamente de demência, na opinião de uma senhora bicentenária, dona de um belo sorriso fixo (e imóvel), muito à semelhança de durex pregado à face. Pode-se ver que o frio estilhaça os ossos do dono-do-verdadeiro-bafo-de-onça, enquanto o dono-do-falso-Bafo-de-Onça já ronca alto em uma mansão em que mendigos são queimados, se tentam se aproximar.
Greval, por sua vez, já às sete da manhã, é chamado pelo genial sistema de senhas e entra no bar mais chique e agora também mais vazio da cidade. Sozinho, ele olha o cardápio e logo conclui que aquele estabelecimento cobra pela cerveja o mesmo preço que o Bordel das Rejeitadas do Demo e de Damo, o mais caro do reino, onde só as mulheres conhecidas como aposentados-do-sexo podem trabalhar. Notem, amigos atlântidos, que a diferença entre os dois bordéis, digo, comércios está em que, enquanto no prostíbulo há prostituição esclarecida por todas as partes, no bar há somente um suposto-meretrício, proposto a iludir os excluídos da prática da autoelitização.
Não se desespere, Eduardo Dudu, você que é ginecoamante, pois já hei de explicar os sentidos ocultos de tal “suposto-meretrício”. É que existe no Reino Sub-Imundo, em profunda surdina, um folheto preciosíssimo e raro chamado “Manual da Interesseira”, conhecido somente pelas especialistas e jamais confessado por nenhuma delas, nem mesmo na Casa dos Horrores, maior centro de tortura lisocapilar. O manual relata diversas ações femininas na sociedade, mas principalmente os critérios a se seguir para ser uma suposta-meretriz. Eis:

Página 17

Manual da Interesseira (fragmentos):

1. É preciso fingir não cobrar pelos esportes horizontais tão almejados pelos homens – regra principal, essa é a melhor maneira de não se deixar confundir com as aposentadas-do-sexo e manter o estatos indispensável a uma mulher de classe;
(...)
3. É fundamental escamotear seu real interesse, o que quer dizer que não se deve de modo algum deixar clara que sua meta é alcançar e desfrutar do volume bancário e do modelo do carro do interessado e interessante;
(...)
7. Só se deve sair com rapazes que ganharam de presente do papai um carro-de-raça ou que ao menos mentem que o carro-do-pápi lhe foi dado, maneiras essas de se evitar custos com o terrível transporte coletivo sub-imundo e de se conquistar estatos em meio às rodas sociais das supostas-meretrizes;
8. Uma suposta-meretriz nunca paga nada. É preciso sair com moços, homens ou velhos que paguem todas as bebidas e comidas que houver, que pague a gorjeta do garçom, a bala ou a goma-de-mascar, que pague até mesmo o que as pseudoamigas consumirem ou precisarem;
(...)
10. É necessário só sair com rapazes que tenham importância diante da sociedade, já que uma suposta-meretriz precisa se dar ao respeito alheio, mas nunca ao próprio;
11. É quase regra evitar o ataque a rapazes inteligentes, a menos que sejam suficientemente ricos a ponto de compensar tal chatice;
(...)
17. É indiferente se o macho em questão é bonito, pois quem gosta do belo são os artistas.

Quanto aos moços que freqüentam o Bar Bafo de Onça, suas orientações não vêm de manual algum e, em verdade, são bem mais simples e práticas. Em princípio, não devem trabalhar; se trabalharem, tem que ser para o pápi, pra ganharem muito sem terem que se esforçar; em último caso, devem trabalhar no alto-escalão do governo, nos chamados cargos-fantasmas, em que nunca aparecem, mas gozam de grande fama, e são temidos. Tais moços costumam ser chamados de Vips pelas profissionais do horizonte, o que significaria em português mal-traduzido “Pessoas-Muito-Importantes”, mas que eles próprios traduzem de forma diversa, como: “Vagabundos-Interessados-em-Prostitutas”.
À parte de toda a realidade, enquanto divaga, Greval se descobre empurrado para fora do bar, e percebe que a essa hora não há ali sequer aquelas prostitutas-da-elite disfarçadas de nata-da-sociedade da qual falávamos acima. O Bordel dos Ricos também havia fechado àquela hora.

Página 18



Na próxima semana, será iniciado o CAPÍTULO II – A MOTIVAÇÃO PRIMEIRA DO RELATO: OS ALISADORES CAPILARES - Parte IDo fenômeno que dá nome e sentido ao presente livro; do fenômeno que não dá sentido à vida; o passador-de-chapinha.

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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

COC - Trabalhos e Provas Finais - 2013 + Prova do 9° ano (4° bimestre)

Trabalhos e provas finais

7° ano
Interpretação de textos

8° ano

A marca de uma lágrima – Pedro Bandeira
O caso dos dez negrinhos – Agatha Christie
Revolução dos bichos – George Orwell – Editora Companhia das Letras
O guia do mochileiro das galáxias – Douglas Adams

9° ano

Não há alunos em recuperação final

1a série

Romantismo no Brasil
Romantismo no Brasil (as três fases da poesia e as histórias Lucíola, Senhora, Iracema, O Guarani e Memórias de um sargento de milícias)

2a série

Dom Casmurro - Machado de Assis
O Cortiço - Aluisio Azevedo
Modernismo no Brasil (as três gerações: 1922, 1930 e 1945)


Prova do 4° bimestre

9° ano

- Figuras de linguagem
- Interpretação de textos

sábado, 9 de novembro de 2013

LIVRO REINO SUB-IMUNDO - PUBLICAÇÃO 4 - Novela Semanal Digitalista - Digitalismo



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Parte IV – Do Forró Sem-Roupa-de-Marca; Greval entre a elite; das minorias inoportunas: o preto no Bar Bafo de Onça, também conhecido como o Bordel dos Ricos

Sim, João Martins, no Forró Sem-Roupa-de-Marca do Reino Sub-Imundo a presença e a constância contrabanhística era incrível. Tristeza geral dos fabricantes de desodorantes e antitranspirantes, o odor exalado por aquele grupo era tal que desmaiaria em segundos qualquer burguesa de nariz ultra-afetado.
A dança ali ia solta; a dança, esse fenômeno de libertação total dedicada a Dionísio. Meu caro e desavergonhado amigo Úmero, aquilo era um festa para os quadris, um alegria atemorizante para as pernas: um festival acasalamenteiro. Nem mesmo a Imaginação, essa nossa ninfeta preferida, pode alcançar tamanho fenômeno. O Forró Sem-Roupa-de-Marca é, pois, parceiro direto do Bar Sujo, e mesmo uma sua continuação. O Forró sustém a bandeira do orgulho da feiura!
No entanto, não é para lá que se encaminha Greval. Ele busca rumos mais vazios – humilhações mais automartirizantes.

Já iam quase seis horas, já ia longe o pesadelo de um Apolo e próximo seu despertar, enquanto Greval, na parte elitizada da cidade, provavelmente-culta-e-civilizada, aguardava. Não, ansiava. Não, implorava. Sim, ele implorava, aos modos infantis, entre birras, teimosias e feições desacorçoadas, até mesmo bicos-de-criança-mimada, para que pudesse entrar no bar mais chique da cidade. Sim, porque em Distúrbico, capital do Reino Sub-Imundo, era esse o procedimento extraoficial para se entrar no Bar Bafo de Onça, mesmo que fosse a essa hora!
Cheguem mais perto, amigos atlandes, venham de mansinho, de fininho, para ver essa subnovidade que apresento a vocês! É que além de tudo, há ali, olhem!, o sistema de senhas-para-entrar-em-botecos-chiques, considerado um dos mais sérios contrassensos lisenses. É uma espécie de sistematização-da-alegria, ao estilo: “Por favor, aguarde que chamem seu número para que o senhor possa ser feliz”; “Oh! Faltam quinze minutos para o senhor possa sorrir abertamente”; “Senha quinze, por favor. O senhor já tem permissão para se divertir, entre”. E por nenhuma coincidência, a senha de Greval está repleta de zeros à direita...
A propósito, plasmos atlântidos, o sistema-de-medição-de-preço-de-roupa é outro acontecimento umérico da botecaria chique! Antes de entrar, é preciso ser avaliado por essa ou aquela banca de reparadoras-em-plantão, formada por moças que compraram sua beleza com o dinheiro do pai-trabalhador ou do marido-submerso – nunca, reparem bem, nunca!, pelo próprio esforço. A conquista pelo próprio trabalho é umas das piores humilhações a que um(a) jovem lisense poderia se sujeitar!

Enquanto se distraíram com uma cafonice atípica que passava, vejam, roubei umas senhas, vamos!

Aqui dentro do bar há um ambiente simples e aconchegante, com quadros ruprestes e aparência bucólica – tudo minuciosamente forjado. Na verdade, nada é simples, tudo é pré-editado, pois não há espaço para reais simplicidades. A premeditação é tamanha que existe até mesmo um espaço para os pais depositarem suas crianças por algumas breves horas, o que lhes proporciona um raro momento de sossego.

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Ora, para passar por todo esse sistema e acomodar-se minimamente nele, é preciso humilhar sua essência, desfazer-se dela. Mas como desfazer-se de algo que não se possui? Os submergidos encaram esse processo como algo normal, afinal, são egocarentes e i.d.esprovidos.
E tudo isso para quê? Para quê?! Para comerem pratos reduzidos por preços sobre-entojados, fazendo expressões nojentíssimas, bebendo pouco, para economizar, e principalmente para poderem se fazer notar em lugar tão importante. Há aqui pessoas afetadas ao ponto de se darem até ao trabalho de tomarem somente uma cerveja durante toda a noite, só para ocuparem uma mesa. Essa prática, aliás, é antamente difundida.

O quê?! Não se escandalize, Bea, a vida é bela; não, a vida é belícula, quase bélica. Sinta como eu, Bea Rodrigues, que nem tudo vai bem. Ora, se ainda não sabe, é para isso que estamos aqui, para atrapalhar a fácil digestão de uma elite alimentada por muita pizza e pouco ovo frito! Para misturar vinagre em seus vinhos importados! Para enfiar-lhes farofa garganta abaixo! Mas, primeiramente, precisamos aprender sobre eles.

É, acaba de chegar um negro já idoso à porta do Bar Bafo de Onça, cobrando direito autoral sobre o nome de seu hálito, pedindo sua parte em cachaça. 


Um multibanguela. Descalço, megafétido sem-ser-por-opção, exemplar da falência do capetalismo, daqueles que ficam eternos dias sem banho, que ficam toda a microvida sem sanar sua aromarrepugância, sua indecência narinovisual. Sim, atlântidos cheirosos e perfumados! Ele é daqueles inocentes, tão puros seres que acreditam que só pela essência gigapotente que possuem, que só pela hercúlea-inteligência de que dispõem, que só pela chico-buárquica-espontaneidade que trazem, podem ser aceitos nos círculos renomados.
O segurança, que se supõe neopotente, arregaça as mangas-da-camisa-emprestada e a cara do homem. (... )

(CONTINUA).


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[1] Usando FotoShopping, colocar tarja preta nos olhos do preto, bem de leve.

sábado, 2 de novembro de 2013

REINO SUB-IMUNDO - PUBLICAÇÃO 3 - Novela Semanal Digitalista - Digitalismo

Se você ainda não leu, as publicações anteriores estão em:
http://professorfernandoletras.blogspot.com.br/p/livro-mundo-sub-imundo-publicado.html

Parte III – da descrição do bar menos importante da sociedade liso-capilar; em que fica claro como os momentos de libertação são raros no Reino Sub-Imundo; ou simplesmente: o Bar Sujo.
                                        “O banheiro é a igreja de todos os bêbados” – Cazuza

                                                                                                                 O famoso Bar Sujo

O Bar Sujo é o lugar aonde vão os supostamente piores tipos e os piores seres. Lá vão os desclassificados por natureza e os velhos desempregados por proteção paternal; é aonde vão, sendo assim, os pedidores de dinheiro emprestado sem intenção de pagar, os pedreiros cujas casas construídas caem, os cobradores de ônibus mal-encarados, os cerradores de pinga alheia, os donos dos bares mais imundos do reino em horários de folga, os caminhoneiros que não se lembram das famílias, os frentistas sem humor, os pinguços por profissão e mais uma vasta gama de adeptos da política-do-álcool... Há ali uma atmosfera terrível, pois é um lugar agrovisual, com ossos das cabeças dos bois espalhados, com selas dependuradas, e com música-dor-de-cotovelística tocando à revelia.
Entremos, amigos; entremos neste mar de novidades!
Refúgio dos fugidos, antro dos sem vegonha de si mesmo, aqui qualquer um pode entrar, qualquer um mesmo, até mesmo Esníguio, desconhecedor de seu próprio gênero, ali sentado todo-ostestação; até mesmo Souropeaux, filósofo-de-boteco, agora grande amigo de Greval, o sem-boa-sorte; podem até mesmo e principalmente as baratinhas incondicionais. Aliás, elas têm sua tribuna reservada, uma mesa ao centro, como lhes é de direito.
O Bar Sujo é o local dos descontentes com a pesada perseguição aos instintos. Aqui as paredes são sujas, o chão é mal-acabado, de cimento rachado. E se a balconista apanha do marido, ela está sempre sorrindo para a gente. As pessoas aqui são feias que doem; é um lugar inamorável, porque onde estamos não é possível arrumar namorada, não. Mas também ninguém esconde a essência, aqui se é e pronto, ponto final, meus amigos! As ilusões fantasiosas e fantasiadas pelo capital são deixadas da porteira pra fora. E a atendente atende bem, trata bem, uma coisa inadmissível nos lugares do alto-escalão cultocapilar!
Oh encontramos toda a beleza de poder-estar bêbado, de ser um alcoólfago, alcoólvoro, e de domir sossegadamente em cima da mesa de plástico pegajoso! Aqui encontramos até mesmo essa fatídica variedade de subpessoas de microvidas; sim, os professores também vão para lá. Só mesmo no Bar Sujo para receberem a atenção que os alunos não lhes dispensam neste absurdo Reino Sub-Imundo! Somente neste bar os seus sonhos mais distantes são realizados, porque aqui todos são tratados bem.
É de se notar que a única classe social que passa por um certo controle antes de entrar é a da das pedagogas. Isso porque muitas delas tentaram deliberadamente corromper o Bar Sujo, fazendo dele um bar “decente”. Devido a isso, o Controle de Falta de Qualidade, composto pela dona e pelos mais assíduos frequentadores, por vias de economia, só aceita as pedagogas que provam terem a preocupação centrada no ensino de fato, na educação em si, e não nas aparências e formalidades que não acrescentam nada a ninguém, e muitas vezes engessam a potência docente e discente. Essas notáveis pedagogas são, afinal, casos raros, porém admiráveis no reino. E sem se preocupar com a aparência, como todos os demais, são bem vindas!

Página 12

Salles, meu parceiro atlântido, todos adoram secretamente louvar um lugar tão desagradável, mas que centrifuga a imagem, o tratamento interessado, o culto do não-ser-eu-mesmo-pra-ser-o-que-a-novela-ou-o-seriado-mandar. No entanto, vão escondidos, que ninguém pode saber não – porque a imagem no Reino Sub-Imundo é uma religião, e um lugar que a desmerece é tido como afronta aos padrões estéticos lisocapilares.
Quando Greval quer beber, o não raro que se ocorra, esse nosso parceiro vai para o bar tomar na jarra, virar aguardente na xícara, deitar e rolar ao chão. O pessoal olha pra ele e diz: Fique à vontade, como quiser. No Bar Sujo as alegrias de Greval acontecem.

A essa altura, já são quatro horas da manhã e Souropeaux sonha com as ninfetas pseudo-atrizes-e-vero-prostitutas deitado embaixo da mesa. Greval, por sua vez, está debruçado sobre o balcão. Não queria dizer ao recém-amigo que estava ali porque brigara com a mulher. Não queria dar ao neoparceiro a chateação de ouvir reclamações conjugais. Sabia perfeitamente que problemas alheios interessam somente a ninguém.
Sim, foi para o Bar Sujo, chorou, lamentou, ouviu a popular música-dor-de-cotovelística e se identificou com a balconista feia que apanhava do marido. Ele também havia, simbolicamente, apanhado da mulher. E lhe pesava ser inferior a ela.
Os dois agora conversam. Um improvável romance começa a surgir. Greval e a balconista feia: Des Lize seu nome. Os dois se envolvendo, o mau-hálito incendiando o ar, a cachaça queimando o fígado, o fervor todo das pessoas que não se escondem atrás das montagens de Foto-Chópins. O casal agora se olha. Greval desninfando ou desninfetando conceitos. A relação além-esposa, a questão extramaridal. Estavam ao estilo sapo e lagoa poluída, mosca e lixo orgânico, cerume e orelha. Vão e estão. E é quase. Até que a ameaça de um beijo é interrompida por um estrondo. A balconista feia cai surdamente em coma alcoólico.
Poderia ser a catástrofe, poderia ser o fim de um acasalamento iniciado, poderiam ser várias coisas, mas Greval, num momento único de adequação ao sistema sub-imundo, usou lustrosamente sua capacidade etnodominadora, e não sendo bobo nem nada, arrastou-a para o toalete do bar, lá chamado de “O Inentrável”.
Suas alegrias puderam enfim ser realizadas. Foram felizes – por uma hora. Essa medida de uso e cobrança, inclusive, a hora, muito utilizada por diversos tipos de trabalhadores do Reino Sub-Imundo, entre eles: as prostitutas, os professores e os padres.

Já são cinco e trinta e o vento começa a soprar frio na Praça dos Capachos, centro de Distúrbico, onde os professores pedem suas primeiras esmolas para complementar o orçamento a que o Estado não acode. Os foliões transformam-se já em cidadãos – a tristeza volta a reinar. Enfim, a alegria do carnaval dá lugar às cinzas de uma quarta-feira comum.

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Vendo que Souropeaux continua em companhia das ninfetas, só e somente nos sonhos, e agora se assemelha a uma espécie de cão enxotado pela prefeitura, Greval já ressuscitado da latrina toma seu charuto de Nhoque e começa a olhar a rua quase deserta. Esse charutaço nervoso que ele fuma agora é uma tentativa indiscreta de imitar um funcionário seu, certo Joque Lacão, faxineiro por vocação, que conquistava renda-extra como despertador de consciências em um consultório psicomédico.
Enquanto se divertia com o imodesto cigarro, Greval, apesar de todo seu poderio aquisitivo, deixava-se influenciar pela proletariosofia, uma tendência lisocabelense inventada pelo PADECI – Partido dos Desocupados Cultos ou Incultos. Assim sendo, fumava, espairecia e seu corpo e sua alma fluíam a gastar o tempo vago a vagar.
Foi assim que pôde ver Herberto Gessi, o melhor aparador-de-grama e pior trocador-de-lâmpada de Padrid, chegando de viagem para socorrer as lâmpadas da praça principal. O bigodudo trocador viu nosso herói esconder seu rosto entre escombros e estragos da noite. Isto porque foi nesse momento que Greval notou: as universitárias estupradas, as adolescentes desmaiadas, os pais-de-família drogados, os travestis satisfeitos, os trabalhadores noturnos cada vez mais pobres e infelizes, os jovens-sem-talento-sustentados-pelos-pais-corruptos-e-magnatas voltando dos bordéis lisenses após nada conseguirem no Bar Bafo de Onça, as modelos refazendo a maquiagem após mais uma noite de prostituição a troco de desfiles e penteados; enfim, a banalidade da noite-a-noite dançando sobre o campo minado da existência: viver é muito perigoso, já dizia algum camponês de quem não me lembro o nome, ou lembro e disfarço para irritar os pernósticos acadêmicos.
Greval apanhou um bocado dos estragos, escondeu sobre os escombros de si mesmo, e saiu veloz rumo ao outro lado da cidade com sua mobilete de trinta anos de idade e cidade. Porque no Reino Sub-Imundo as mobiletes são o principal meio de locomoção dos (raros) engajados ecologicamente.

                                                  Exemplar mobiletístico

Sei que estás a rir, Bea, minha amada e atlântida, mas não se assuste. As mobiletes são floraconservadoras e geoprotetoras, devido a seu baixíssimo nível de poluição. Vislumbra, portanto, a originalidade de nosso herói. Admira-o como o admiro! E agora me deixe seguir com a história.
Greval cruzou com um gari. O primeiro gari da quarta-feira-encinzentada, o primeiro ser a desbravar e mostrar a biofobia daquele povo. O Carnaval não era a verorrepresentação do Reino Sub-Imundo, mas um disfarce lisonjeiro e oportunista. Ali não cultuavam Dionísio, e sim os presidentes loucos! Sim, Beazinha, lá os presidentes eram loucos. O que há de mais? Para um povo obtuso, nada melhor do que a manicracia. Mais tarde, minha cara, saberá detalhes sobre tal sistema, pois agora é preciso conhecer o Forró Sem-Roupa-de-Marca e o Bar Bafo de Onça, estas duas representatividades da cultura capilar, uma vero e outra pseudo, sendo que foi a uma delas que Greval se dirigiu, em seu simpático meio de transporte, quando já quase amanhecia.

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