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sábado, 30 de abril de 2011

Matérias para a Recuperação - CNEC

Matérias para a Recuperação:

1° colegial
- Livro: Capitães de Areia
- Figuras de linguagem: metáfora, hipérbole, paradoxo, antítese, catacrese e metonímia
- Gêneros literários

2° colegial
- Realismo em Portugal (resumos de "A cidade e as serras", "O crime do padre Amaro" e "O primo Basílio")
- Realismo no Brasil (resumos de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "Quincas Borba" e "Dom Casmurro", de Machado de Assis)
- Naturalismo
- Livro: O Cortiço

3° colegial
Noções gerais de:
- Trovadorismo
- Humanismo
- Classicismo
- Barroco

quinta-feira, 28 de abril de 2011

INTEGRAL - Nono Ano

Matéria da prova de Literatura do dia 12/05 - Gêneros literários (mesma matéria do simulado)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

ALTERAÇÕES NA ORDEM E NA AVALIAÇÃO DOS LIVROS DA CNEC


1° ANO DO ENSINO MÉDIO

Para a Prova de Secretaria do 2° trimestre
- Auto da barca do inferno – Gil Vicente (adaptado para o Português atual) (25 de maio; teatro)
- O caso dos dez negrinhos – Agatha Christie (11 de julho; prova aberta)
- Memórias de um sargento de milícias – Manuel Antônio de Almeida (25 de agosto; testão)

Para a Prova de Secretaria do 3° trimestre
- O retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde (Literatura Inglesa) (setembro)
- Noite na Taverna – Álvares Azevedo (outubro)
- Senhora – José de Alencar (novembro)


2° ANO DO ENSINO MÉDIO

Para a Prova de Secretaria do 2° trimestre
- “1984” – George Orwell e “Ensaio sobre a cegueira” – José Saramago (em 11/07, prova aberta dos dois livros com consulta aos livros e a resumos feitos à mão que sejam maiores que três páginas completas).
- Vidas Secas – Graciliano Ramos (testão de 25/08)

Para a Prova de Secretaria do 3° trimestre
- Anjo Negro – Nelson Rodrigues
- A hora da estrela – Clarice Lispector
- Sagarana – Guimarães Rosa (só três dos nove contos: A hora e a vez de Augusto Matraga, Duelo e São Marcos)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

PARNASIANISMO


Olavo Bilac


Ora (direis) ouvir estrelas!


XIII

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
 
"Nel mezzo del camin...


Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo."

Ao coração que sofre


Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.


Alberto de Oliveira
Vaso Grego:
Esta, de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de os deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia
Então e, ora repleta ora esvaziada,
A taça amiga aos dedos seus tinia
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois... Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e, do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas há de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se de antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa a voz de Anacreonte fosse.

Vaso Chinês
Estranho mimo, aquele vaso! Vi-o
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.
Mas, talvez por contraste à desventura -
Quem o sabe? - de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura:
Que arte, em pintá-la! A gente acaso vendo-a
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.

Raimundo Correia

As pombas

Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...


SIMBOLISMO


            Charles Baudelaire
A uma passante
A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;
Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
No tempestuoso céu do seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.
Brilho... e a noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!
II - O ALBATROZ


Às vezes, por prazer, os homens da equipagem
Pegam um albatroz, imensa ave dos mares,
Que acompanha, indolente parceiro de viagem,
O navio a singrar por glaucos patamares.

Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés,
O monarca do azul, canhestro e envergonhado,
Deixa pender, qual par de remos junto aos pés,
As asas em que fulge um branco imaculado.

Antes tão belo, como é feio na desgraça
Esse viajante agora flácido e acanhado!
Um, com cachimbo, lhe enche o bico de fumaça,
Outro, a coxear, imita o enfermo outrora alado!

O Poeta se compara ao príncipe da altura
Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;
Exilado ao chão, em meio à turba obscura,
As asas de gigante impedem-no de andar.

XXIX - UMA CARNIÇA





Lembra-te, meu amor, do objeto que encontramos
Numa bela manhã radiante:
Na curva de um atalho, entre calhaus e ramos,
Uma carniça repugnante.

As pernas para cima, qual mulher lasciva,
A transpirara miasmas e humores,
Eis que as abria desleixada e repulsiva,
O ventre prenhe de livores.

Ardia o sol naquela pútrida torpeza,
Como a coze-la em rubra pira
E para o cêntuplo volver à Natureza
Tudo o que ali ela reunira.

E o céu olhava do alto a esplêndida carcaça
Como uma flor a se entreabrir.
O fedor era tal que sobre a relva escassa
Chegaste quase a sucumbir.

Zumbiam moscas sobre o ventre e, em alvoroço,
Dali saíam negros bandos
De larvas, a escorrer como um líquido grosso
Por entre esses trapos nefandos.

E tudo isso ia e vinha, ao modo de uma vaga,
Que esguichava a borbulhar,
Como se o corpo, a estremecer de forma vaga,
Vivesse a se multiplicar.

E esse mundo emitia uma bulha esquisita,
Como vento ou água corrente,
Ou grãos que em rítmica cadência alguém agita
E à joeira deixa novamente.

As formas fluíam como um sonho além da vista,
Um frouxo esboço em agonia,
Sobre a tela esquecida, e que conclui o artista
Apenas de memória um dia.

Por trás das rochas, irrequieta, uma cadela
Em nós fixava o olho zangado,
Aguardando o momento de reaver àquela
Carniça abjeta o seu bocado.

- Pois há de ser como essa coisa apodrecida,
Essa medonha corrupção,
Estrela de meus olhos, sol da minha vida,
Tu, meu anjo e minha paixão!

Sim! Tal serás um dia, ó deusa da beleza,
Após a bênção derradeira,
Quando, sob a erva e as florações da natureza,
Tornares afinal à poeira.

Então, querida, dize à carne que se arruína,
Ao verme que te beija o rosto,
Que eu preservarei a forma e a substância divina
De meu amor já decomposto!

Ismália
Alphonsus de Guimaraens

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


O Bom Crioulo - Adolfo Caminha


Bom crioulo – Adolfo Caminha

- Naturalismo (Determinismo; animalização)
- ingratidão
- preconceito (“negro é raça do diabo, raça maldita, que não sabe perdoar, que não sabe esquecer...” – D. Carolina)
- força das circunstâncias

Ainda num tempo em que a Abolição não fora proclamada, Amaro, aos dezoito anos, ingressa na Marinha. Não queria voltar à fazenda como escravo e embarcou na corveta, onde foi aceito como marinheiro. Sentia saudades do cafezal, dos amigos e de mãe Sabina.
Os oficiais o estimavam pelo caráter bom e modos ingênuos, por isso é que recebeu o apelido de Bom-Crioulo. Ganhou fama, na Marinha, de negro forte, resoluto, puro músculos, embora de caráter ameno. E esteve pelo mundo afora, embarcado a serviço.
Aos poucos, no entanto, durante uma viagem em que fora nomeado gajeiro (encarregado) de proa, pôs-se em contato com a cachaça e ficava violento de tal forma que os demais o temiam; não mais respeitava ninguém, tinha-se mudado.
Foi nessa viagem que conheceu o grumete (marinheiro novato) Aleixo (menino de 15 anos). Passou a dar conselhos ao rapaz sobre a vida de marinheiro: que não se metesse em brigas.
Aleixo não saía de sua cabeça. E aproxima-se de Aleixo, ensinando-lhe muito sobre a vida e sobre seu asseio e vestimentas. Planejavam morar juntos. Tornam-se amantes.
Ao aportarem no Rio de Janeiro, Amaro vai procurar sua amiga Dona Carolina (que sabia se virar sozinha, tinha um passado luxuoso na “vida dada” e a quem salvara a vida, num caso de um roubo à faca há muito tempo) e ali encontra para ele e Aleixo um quartinho aconchegante... Estava feliz o Bom-Crioulo.
Durante todo este tempo, levou uma vida absolutamente em ordem. Até os oficiais estranhavam a modificação nos modos dóceis do negro. Com Aleixo também a vida ia certa e boa, exceto os caprichos libertinos do outro (por exemplo: pedindo para vê-lo completamente nu no claro).
Dona Carolina dava-lhe carinhos, cuidando bem dele, admirando-lhe a aparência sempre limpa e perfumado.
Com o navio atracado, podiam descer a terra sempre e estavam sempre no quartinho. Os três, Amaro, dona Carolina e Aleixo, passavam a formar uma família. Dona Carolina gracejava sobre o romance deles.
Mas Bom-Crioulo começou, de repente, a emagrecer, a achar-se fraco e com dor no peito, esquisitamente sonolento após qualquer esforço. Seu afeto ao menino já não era lúbrico nem tão ardente: confiava que Aleixo jamais se entregaria a outro homem, afinal, há um ano estavam juntos.
A corveta em que trabalhava, finalmente, saiu do dique. E Amaro foi nomeado para servir em outro lugar, um navio. Amaro não gosta da notícia: iria ter de separar-se do grumete. Mas se despediu do amante, deixando junto com ele a alma, uma parte de si mesmo. O mesmo parece não acontecer com Aleixo, que parece considerar a hipótese de encontrar um homem de posição.
Dona Carolina chega ao quarto e ambos começam a conversar. Aleixo lhe diz do desgosto que anda sentindo em relação ao negro, aos abusos sexuais dele. Esta declaração acende as esperanças de Dona Carolina que há uns dias vinha já pensando nisso.
Aqui está formado o triângulo amoroso que culminará na morte de Aleixo.
Uns dias antes, o rapaz tinha visto a portuguesa em camisas (roupas íntimas) pela porta entreaberta do quarto dela.
E ao voltar do passeio daquela noite em que Amaro não viera para a terra, Aleixo foi surpreendido com a declaração de que dona Carolina queria tê-lo na cama, para si. Os dois se amam pela primeira vez e Aleixo deseja nunca mais ter de se envolver com Bom-Crioulo.
Enquanto isso, o Bom-Crioulo não estava feliz no couraçado, que ele julgava ser uma prisão de aço. Bebe muito e arruma confusão com um português. Estava infeliz longe de Aleixo, a quem amava e desejava e de quem sentia extrema falta.
Amaro foge no escaler das compras e vai à pensão. Depois de esperar inutilmente por Aleixo, sai, bebe, briga e tenta voltar ao escaler e é preso. E aceita os castigos da chibata, pensando em Aleixo.
O rapaz, em dia de folga, vai ver dona Carolina, louco de desejo pela portuguesa. Acabam por brincar , ironizando Amaro e sua bestialidade. Toda a noite passaram como dois bichos, se amando.
O que ambos não sabiam é que Amaro, depois de sofrer uma terrível surra de chibata, tivera que ser hospitalizado (acabou ficando bastante tempo lá, porque contraíra umas estranhas coceiras).
Passava os dias tristemente a pensar em Aleixo, a recordar os dias felizes que estivera ao lado dele, a ver-lhe as formas e os olhos azuis, as carnes brancas. E então, pediu a um funcionário do hospital que escrevesse um bilhete ao rapaz, dizendo que estava ali há cerca de um mês, que viesse vê-lo. Magro e desesperado, pensou em fugir do hospital atrás do rapaz.
Aleixo estava menos inquieto agora, certo de que Amaro não o alcançaria e sequer o pegaria numa vingança. Amigara-se com dona Carolina, dormia com ela na cama larga e exigia que ela acabasse com seus casos com outros homens.
O bilhete de Amaro tinha sido recebido em dia que Aleixo (agora mais forte e mais homem) estava embarcado: dona Carolina o fizera aos pedaços. Demora-se toda, Aleixo Mas conta do bilhete e dos receios (passara a temer o pior). Para espairecer, foram ao passeio público tomar sorvete.
No hospital, sem ter seu bilhete respondido, imaginando que tinha sido trocado por outro, Amaro definhava insone, desesperado. E numa noite de obsessão e desespero, foge depois de ter recebido notícias de que Aleixo (através do Pinga) estava muito amigo dos oficiais e que estaria amigado com uma rapariga, em terra. Levou consigo uma navalha.
Em meio à fuga, enquanto imaginava com quem estaria Aleixo, lembrou-se, de repente, de Dona Carolina. Mas concluiu que isso nem seria possível. Seguiu direto pra rua da Misericórdia. Foi à padaria perguntar por dona Carolina e por Aleixo, uma vez que o sobradinho permanecia fechado ; e soube pelo português que dona Carolina e o Aleixo saíam à noite, lavantavam-se tarde todos os dias. Foi quando viu Aleixo sair. Precipitou-se sobre ele, xingando-o, agarrando-lhe o braço de maneira desafiadora. Houve um tumulto, gritos. E quando dona Carolina chegou à janela do dobrado, viu o rapazinho ensangüentado. d
Enquanto Aleixo era levado nos braços por dois marinheiros, já morto à navalhadas, o Bom-Crioulo seguia rua abaixo, preso pelos guardas.