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domingo, 20 de março de 2011

INTEGRAL - CONTEÚDOS PARA AS PRÓXIMAS AVALIAÇÕES

Integral
Gramática – 4 questões – Regras ortográficas e de acentuação.
Literatura – 4 questões – Gênero lírico, o soneto e a escansão.

domingo, 13 de março de 2011

Matérias para as provas da CNEC

1° colegial - Testão

- Figuras de linguagem (Metáfora, Antítese, Paradoxo, Hipérbole, Catacrese, Metonímia e Eufemismo)
- Gêneros literários (Épico/Narrativo, Dramático e Lírico)

2° colegial - Testão

- Romantismo no Brasil ("Iracema", "O Guarani" e "Senhora", todos de José de Alencar)
- Realismo em Portugal ("O primo Basílio", "A cidade e as serras" e "O crime do padre Amaro", todos de Eça de Queirós)

3° colegial - Simulado ENEM

- Conceitos literários básicos
- Trovadorismo
- Humanismo

REALISMO EM PORTUGAL

O Primo Basílio – Eça de Queirós
Casados há três anos, Luísa e Jorge moram numa rua pouco elegante de Lisboa, freqüentada por gente pobre e que se diverte com mexericos e intrigas. Jorge é engenheiro e trabalha num Ministério, enquanto Luísa, de personalidade enfraquecida pela leitura de romances, vive de forma ociosa e sonhadora. O casal só deseja um filho, que lhe complete a felicidade. Jorge parte para o interior - Alentejo - a negócios. Luísa, solitária, aborrece-se com a ausência do marido até a chegada de Basílio, um primo que fora seu primeiro amor e que a abandonara.
      Ao rever a prima, Basílio passa a desejá-la para uma aventura que diminua o tédio de sua permanência na cidade, cujo provincianismo despreza, mas na qual tem negócios a resolver. Luísa, depois de resistir por um breve tempo, cede às tentações do charme, da paixão por Basílio, que a “perverte” contando suas aventuras amorosas, iguais às dos romances lidos por Luísa, e se entrega a ela, cometendo o adultério. Juliana, a “criada de dentro”, ávida por uma vingança contra todas as patroas, rouba algumas cartas trocadas pelos amantes, passando a chantagear Luísa. Basílio, que havia prometido levar Luísa a Paris, abandona-a novamente. Ela se desespera, então, com a chegada de Jorge.
      Apaixonada “como nunca” pelo marido, ela transforma-se em criada, a mando de Juliana, até Jorge pegá-la em flagrante e demitir a empregada. Luísa, depois de rezar, jogar na loteria, e até mesmo de tentar se entregar a um banqueiro para conseguir o dinheiro da chantagem, conta o seu segredo a Sebastião, um amigo de Jorge, que promete ajudá-la. Acompanhado de um policial, ele consegue recuperar as cartas de Juliana, que morre espumando de raiva, vitimada por um colapso nervoso.
      Luísa, recuperada de uma “febre cerebral”, volta a adoecer, de maneira fatal, por causa de uma carta de Basílio para ela, que Jorge lera. Martirizado pelo desejo de matar e o de perdoar a mulher, Jorge termina por revelar o adultério. A história termina com a morte de Luísa, seguida de duas ironias: um necrológico sobre a sua virtude, feito pelo Conselheiro Acácio, um falso puritano, hipócrita e que representa o convencionalismo bem-sucedido, a vacuidade premiada; e a volta de Basílio, o Janota, o almofadinha, que toma conhecimento da morte da prima, lamentando-se com um amigo por não ter trazido Alphonsine, sua amante francesa.
- crítica à burguesia fútil
- crítica  ao Romantismo

O Crime do Padre Amaro – Eça de Queirós
      Amaro Vieira era filho de uma criada da marquesa de Alegros. Com a morte da mãe, foi adotado pela marquesa, que se encarregou de sua educação. Assim que a mãe adotiva falecera, foi encaminhado para a vida religiosa, a que se dedicou mais por comodismo do que por convicção.
      Inicia sua carreira em Feirão, paróquia pobre de pastores na serra da Beira Alta, mas, em seguida, é transferido para a província portuguesa de Leiria graças à interferência do conde de Ribamar, esposo de uma de suas irmãs “afetivas”. Lá, hospeda-se na casa da Senhora Joaneira e acaba por se envolver sexualmente com sua filha, Amélia, jovem religiosa cuja frivolidade a leva a aceitar passivamente os aconselhamentos dos padres e das beatas.
      No decorrer da narrativa, Amaro torna-se um homem inescrupuloso que coloca seus interesses particulares acima de sua opção religiosa e se serve do sacerdócio para manipular as pessoas e atingir seus objetivos.
      Assim, quando Amélia fica grávida, temendo um escândalo que pudesse abalar sua condição de pároco, ele a esconde. Como a mãe morre no parto, entrega a criança a uma “tecedeira de anjos”. Morta também a criança, Amaro transfere-se para a paróquia de Santo Tirso onde continua a exercer sua função de pároco. dd
- crítica ao clero
- crítica à hipocrisia social
- crítica à falsa idéia de que os maus sempre são punidos

A cidade e as serras – Eça de Queirós

Em A Cidade e as Serras acredita na vida simples e rústica, libertando o bucolismo, valorizando os seres simples, a distância da civilização, a pureza da vida campestre na mais sincera contaminação romântica.

      Ajuste da civilização

      O romance é escrito em primeira pessoa por José Fernandes, um personagem secundário. O narrador centraliza seu interesse na figura de um certo Jacinto, descrevendo-o como um homem extremamente forte e rico, que, embora tenha nascido em Paris, no 202 dos Campos Elíseos, tem seus proventos recolhidos de Portugal, onde a família possui extensas terras, desde os tempos de D. Dinis, com plantações e produção de vinho, cortiça e oliveira, que lhe rendem bem. O avô de Jacinto, também Jacinto, gordo e rico, a quem chamavam D. Galeão, era um fanático miguelista. Quando D. Miguel deixou o poder, Jacinto Galeão exilou-se voluntariamente em Paris, lá morrendo de indigestão. D. Angelina Fafes, após a morte do marido, não regressou a Portugal, e, em Paris, criou seu filho, o franzino e adoentado Cintinho que se casou com a filha de um desembargador, nascendo desta união nosso protagonista.

Primeiros desencantos

      Zé Fernandes, a partir daí, pôde observar com maior atenção o amigo; suas intensas atividades o desgastavam e, com o passar do tempo, constatou que Jacinto foi perdendo a credulidade, percebendo a futilidade das pessoas com quem convivia, a inutilidade de muitas coisas da sua tão decantada civilização: ele atravessava um período de nítido desencanto. Alguns incidentes contribuíram sobremaneira para afetar o estado de ânimo de Jacinto: o rompimento de um dos tubos da sala de banho, fazendo jorrar água quente por todo o quarto, inundando os tapetes, foi o bastante para aparecer uma pilha de telegramas, alguns inclusive com um riso sarcástico, com o do Grao-Duque Casimiro, dizendo que não mais apareceria pelo 202 sem que tivesse uma bóia de salvação.
      Preocupado, Zé Fernandes consulta o fiel criado Grilo sobre o que está ocorrendo com Jacinto. O homem respondeu com tamanho conhecimento de causa que espantou o narrador. Uma simples palavra poderia definir todo o tédio de que era acometido: o patrão sofria de “fartura”.
      De Schopenhauer ao Eclesiastes: pessimismo

      Como já havia planejado, o narrador partiu para uma viagem pela Europa e, ao retornar, procurou o amigo e tentou descobrir o que lhe passava na lama, pois encontrou-o mais pessimista que nunca, depressão revelada pelas leituras do Eclesiastes e do filósofo pessimista Schopenhauer. Nestas leituras, encontrava um certo amparo aos comprovar que todo mal era resultante de uma lei universal e, a partir daí, encontrou uma grata ocupação - maldizer a vida. Ao mesmo tempo, sobrecarregou sua existência com fervores humanísticos. Mas de nada adiantava, pois Jacinto estava desolado. No inverno escuro e pessimista, Jacinto acordou certa manhã e comunicou a José Fernandes que esta de partida para Tormes. Decidiu viajar ao receber uma carta de Silvério, seu procurador, que dizia estarem concluídos os trabalhos de reerguimento da capela para onde seriam translados os restos mortais de seus avós que ele não conhecera, mas que o 202 estava cheio de recordações.
      Os preparativos para a viagem envolveram uma mudança da civilização para as serras. Jacinto encaixotou camas de penas, banheiras, cortinas, divãs, tapetes, livros, despachou tudo para poder enfrentar com conforto um mês nas serras. Enquanto isso; renascia nele o amor pela cidade.
      Partiram os dois amigos de volta a Portugal. As cidades passavam pelas janelas do trem: da França para a Espanha, da Espanha para Portugal... Tomado por uma suave emoção, José Fernandes estava feliz em rever a pátria; Jacinto, aborrecido e enfadado principalmente porque, em Medina (Espanha), as malas ficaram em compartimentos errados quando foi feita a baldeação. O narrador, com o intuito de aclamar o amigo, diz-lhe que a Companhia cuidaria de tudo. E ficaram os dois só com a roupa do corpo. Enfim, chegaram a Tormes.
         Desembarcaram em Tormes, onde o narrador encontrou o velho amigo Pimenta, chefe da estação. Após apresentar-lhe o senhor de Tormes, indagou por Silvério, o procurador de Jacinto em terras portuguesas. Começaram então outros desastres da viagem. Silvério não os aguardava: havia partido há dois meses para o Castelo de Vide. Os criados Grilo e Anatole, aparentemente estavam com as 23 malas em outro compartimento, não foram encontrados, o trem apitou e partiu, deixando os dois sem nada. Não havia cavalos para atravessarem a serra, pois Melchior, o caseiro, não os esperava senão para o mês seguinte. Pimenta arranjou-lhes uma égua e um burro e ambos seguiram serra cima, esquecendo, por alguns instante, os infortúnios passados enquanto contemplavam a beleza da paisagem. O pior ainda estava por acontecer: os caixotes despachados de Paris há quatro meses não haviam chegado, e o mais civilizado dos homens estava totalmente à mercê das serras. Como ninguém os esperava, a casa não estava pronta para recebê-los, a reforma acontecia devagar, os telhados ainda continuavam sem telhas, a vidraças sem vidros. Zé Fernandes sugeriu que rumassem para a casa de sua tia Vicência em Guiães e Jacinto retrucou que ia mesmo para Lisboa.
      Melchior arranjou como pôde um jantarzinho, caseiro e simples, longe das comidas sofisticadas, das taças de cristal, dos metais e porcelanas. Uma comida que serviu para matar gostosamente a fome dos viajantes. O senhor de Tormes regalou-se com o jantar que lhe parecera, à primeira vista, insuportável; e o caseiro, diante das manifestações de regozijo perante a comida, pensou que seu senhor passava fome em Paris.
      Após o jantar, ambos ficaram contemplando o céu cheio de estrelas, passaram a ver os astros que na cidade não se dignavam ou não conseguiam observar. O narrador ia-se deixando levar por um contato tão estreito com a paisagem, que em breve surgia uma identificação total do homem com a natureza e em tudo percebia-se Deus, num claro processo panteísta muito comum entre os românticos e que Eça passou a assumir.
      O cansaço vence os dois viajantes. José Fernandes adormece sob os apelos de Jacinto para que lhe enviasse algumas peças brancas e lhe reservasse alojamento em um bom hotel de Lisboa. Uma semana depois que José Fernandes havia partido para Guiães, recebeu suas malas e imediatamente enviou um telegrama para Lisboa, endereçado ao hotel Bragança, agradecendo pela bagagem que foi encontrada e alegrando-se pelo amigo estar novamente gozando os privilégios de seres civilizados. No entanto, não obteve resposta. Certo dia, o narrador voltando de Flor da Malva, da casa de sua prima Joaninha, parou na venda de Manuel Rico, e ficou sabendo algo surpreendente através do sobrinho de Melchior: Jacinto permanecia em Tormes já há cinco semanas. Ao visitar Jacinto, José Fernandes o encontrou totalmente mudado, física e mentalmente. Nada nele denunciava um homem franzino; estava encorpado, corado, como um verdadeiro montês.

      Um homem de bem com a vida

      Era um outro Jacinto a quem o campo já não mais era insignificante. Cada momento novo era uma nova e alegre descoberta. Enfim, era um homem de bem com a sua vida. Aproveitando a presença do amigo, Jacinto providenciou a transladação dos corpos de seus antepassados para a Capelinha da Carriça, agora reconstruída. Zé Fernandes, hábil observador do amigo, percebeu que Jacinto não se contentava em ser o apreciador passivo dos encantos da natureza. Ele queria participar de tudo, e lhe surgiam grandes idéias como encher pastos, construir currais perfeitos, máquinas para produzir queijos...
      Convidado por Zé Fernandes para o aniversário de tia Vicência, Jacinto encontraria aí a oportunidade de conhecer seus vizinhos, outros proprietários. No entanto, a recepção não foi aquilo que o narrador esperava. Havia uma frieza por parte dos habitantes da região, exceto tia Vicência que o recebeu como verdadeiro sobrinho. Ao terminarem a ceia, vieram a saber porquê daquela frieza: eles pensavam que o senhor de Tormes fosse miguelista como o avô e que pretendia restituir D. Miguel ao poder.
      Este jantar serviu de pretexto para o narrador mostrar a mentalidade atrasada da sociedade serrana e aquilo que a fazia sorrir Jacinto era, na verdade, um abismo entre a ignorância e o progresso. A serra estava impregnada de uma mentalidade retrógada, ainda absolutista, enquanto no final do século polvilhavam novas teorias e doutrinas filosóficas e políticas. Tentou-se ainda um jogo de voltarete para animar a noite, mas a ameaça de uma a tempestade levou os convidados a baterem em retirada.
      A chegada a Flor de Malva prepara o desfecho do romance. Joaninha, que não se apresenta sequer uma fala na narrativa, jovem de uma formosura ímpar estaria destinada a ser a senhora de Tormes. Jacinto não fazia mais a barba e totalmente adaptado agora iria se casar.
 Os caixotes embarcados de Paris enfim chegaram a Tormes e serviam para demonstrar o total equilíbrio do protagonista, aproveitando o que poderia ser aproveitado e desprezando as inutilidades da civilização. Certamente Jacinto descobrira seus melhores valores: era feliz e fazia os outros felizes.
      Quem voltou a Paris foi Zé Fernandes e lá, sentindo-se abandonado e entediado, descobriu uma porção de fantoches a viverem uma vida falsa e mesquinha. Percebeu que os antigos conhecidos eram seres frágeis e vazios, idênticos entre si e massas impessoais, amorfas, feitas para gradar ou desagradar os outros conforme seus interesses. Não suportando a cidade, retornou a Portugal. Este serrano que anteriormente valorizava os encantos da civilização foi tomado pelos mesmos sentimentos de Jacinto e confirmou uma simples verdade: no fundo, reabilitou Eça de Queirós com o seu Portugal.

quarta-feira, 9 de março de 2011

COLÉGIO INTEGRAL - Próxima Avaliação

Conteúdos para a Avaliação de Literatura

1a série em E.M.

- Capitães de Areia - Jorge Amado
- Gêneros literários (páginas: 432-435)
- Trovadorismo (436-447)

INTEGRAL - Conteúdos para as próximas avaliações de Redação

9°ano do E.F.

Não haverá prova.

1a série do E.M.

Dissertação (prática).

2a série do E.M.

Carta argumentativa (prática).

Abraço e bons estudos,
Prof. Fernando.

quinta-feira, 3 de março de 2011

ALGUMAS CANTIGAS DO TROVADORISMO + GENI E O ZEPELLIN

Afonso Eanes de Coton
Cantiga de maldizer

Maria Mateu, daqui vou desertar.
De cona não achar o mal me vem.
Aquela que a tem não ma quer dar
e alguém que ma daria não a tem.
Maria Mateu, Maria Mateu,
tão desejosa sois de cona como eu!

Quantas conas foi Deus desperdiçar
quando aqui abundou quem as não quer!
E a outros, fê-las muito desejar:
a mim e a ti, ainda que mulher.
Maria Mateu, Maria Mateu
tão desejosa sois de cona como eu!


MARTIN CODAX

Tenho notícias
de que hoje chega o meu namorado
e irei, mãe, a Vigo.

Tenho notícias
de que hoje chega o meu amado
e irei, mãe, a Vigo.

Hoje chega o meu namorado
e está são e vivo
e irei mãe, a Vigo.

Hoje chega o meu amado
E está vivo e são
E irei, mãe, a Vigo.

Está são e vivo
E amigo do rei
E irei, mãe, a Vigo.

Está vivo e são
E é da confiança do rei
E irei, mãe, a Vigo.


Joan Airas de Santiago

Uma dona, não vou dizer qual,
teve um forte agouro,
pelas oitavas de Natal:
saía de casa para ir à missa,
mas ouviu um corvo carniceiro
e não quis mais sair de casa.

A dona, de um coração muito bom,
ia à missa
para ouvir seu sermão,
mas veja o que a impediu:
ouviu um corvo sobre si
e não quis mais sair de casa.
A dona disse: - E agora?
O padre já está pronto
e irá maldizer-me
se não me vir na igreja.
E disse o corvo: - Quá a cá
e ela não quis mais sair de casa.

Nunca vi tais agouros,
desde o dia em que nasci,
como o que ocorreu neste ano por aqui:
ela quis tentar partir,
mas ouviu um corvo sobre si
e não quis mais sair de casa.



Pero da Ponte

Quem a sua filha quiser dar
uma profissão com que
possa prosperar
há de ir a Maria Dominga,
que lhe saberá muito bem mostrar;
e vos direi o que lhe fará:
antes de um mês lhe ensinará
como rebolar as ancas.

E já lhe vejo a ensinar e sustentar
uma filha sua;
e quem observar bem suas artes
pode afirmar isto:
que de Paris até aqui
não há mulher
que rebole melhor.

E quem deseja enriquecer
não ponha sua filha a fazer
trabalhos manuais;
enquanto esta mestra aqui estiver
ela lhe ensinará a profissão certa
para que seja uma mulher rica,
a não ser que lhe faltem homens.
como rebolar as ancas.

Deve-se saber disso,
para aprender essas artes;
além disso, pode-se aprimorar
cada vez mais na profissão;
e depois que aprender tudo muito bem,
irá sustentar-se como puder;
Sustentar-se com seu próprio trabalho.



GENI E O ZEPELIM

De tudo que é nego torto,
do mangue e do cais do porto,
ela já foi namorada.
O seu corpo é dos errantes,
dos cegos, dos retirantes,
é de quem não tem mais nada.
Dá-se assim desde menina
na garagem, na cantina,
atrás do tanque, no mato.
É rainha dos detentos,
das loucas, dos lazarentos,
dos moleques do internato
e também vai amiúde
com os velhinhos sem saúde
e as viúvas sem covil.
Ela é um poço de bondade
e é por isso que a cidade
vive sempre a repetir:
Joga pedra na Geni,
ela é feita pra apanhar,
ela é boa de cuspir,
ela dá pra qualquer um,
maldita Geni.

Um dia surgiu brilhante
entre as nuvens flutuantes
um enorme zepelim;
pairou sobre os edifícios,
abriu dois mil orifícios
com dois mil canhões assim.
A cidade apavorada
se quedou paralisada
pronta pra virar geléia,
mas do zepelim gigante
desceu o seu comandante
dizendo: mudei de idéia;
quando vi nesta cidade
tanto horror, iniquidade,
resolvi tudo explodir,
mas posso evitar o drama
se aquela formosa dama
esta noite me servir.
Essa dama era Geni,
mas não pode ser Geni,
ela é feita pra apanhar,
ela é boa de cuspir,
ela dá pra qualquer um...
maldita Geni.
Mas de fato logo ela,
tão coitada, tão singela
cativar o forasteiro!
Um guerreiro tão vistoso,
tão temido e poderoso
era dela prisioneiro.
Acontece que a donzela,
isso era segredo dela,
também tinha seus caprichos:
a deitar com homem tão nobre,
tão cheiroso, a brilhar cobre,
preferia amar com os bichos.
Ao ouvir tal heresia
a cidade em romaria
foi beijar a sua mão:
o prefeito de joelhos,
o bispo de olhos vermelhos
e o banqueiro com um milhão.


Vai com ele, vai Geni,
você pode nos salvar,
você vai nos redimir,
você dá pra qualquer um...
bendita Geni.
Foram tantos os pedidos
tão sinceros, tão sentidos,
que ela dominou seu asco,
nessa noite lancinante
entregou-se a tal amante
como quem nasceu carrasco.
E ele fez tanta sujeira,
lambuzou-se a noite inteira
até ficar saciado
e nem bem amanhecia
partiu numa nuvem fria
com seu zepelim prateado.
Num suspiro aliviado
ela se virou de lado
e tentou até sorrir,
mas logo raiou o dia
e a cidade em cantoria
não deixou ela dormir.
Joga pedra na Geni,
joga bosta na Geni,
ela é feita pra apanhar,
ela é boa de cuspir,
ela dá pra qualquer um...
maldita Geni.

ALGUMAS CANTIGAS DO TROVADORISMO

Tem dificuldade para ler poesia? Conheça nosso canal DIGITALISMO no Youtube. Assista aos vídeos "Como ler poesia", "Como ler poesia 2" e outros!

Afonso Eanes de Coton
Cantiga de maldizer

Maria Mateu, daqui vou desertar.
De cona não achar o mal me vem.
Aquela que a tem não ma quer dar
e alguém que ma daria não a tem.
Maria Mateu, Maria Mateu,
tão desejosa sois de cona como eu!

Quantas conas foi Deus desperdiçar
quando aqui abundou quem as não quer!
E a outros, fê-las muito desejar:
a mim e a ti, ainda que mulher.
Maria Mateu, Maria Mateu
tão desejosa sois de cona como eu!


MARTIN CODAX

Tenho notícias
de que hoje chega o meu namorado
e irei, mãe, a Vigo.

Tenho notícias
de que hoje chega o meu amado
e irei, mãe, a Vigo.

Hoje chega o meu namorado
e está são e vivo
e irei mãe, a Vigo.

Hoje chega o meu amado
E está vivo e são
E irei, mãe, a Vigo.

Está são e vivo
E amigo do rei
E irei, mãe, a Vigo.

Está vivo e são
E é da confiança do rei
E irei, mãe, a Vigo.


Joan Airas de Santiago

Uma dona, não vou dizer qual,
teve um forte agouro,
pelas oitavas de Natal:
saía de casa para ir à missa,
mas ouviu um corvo carniceiro
e não quis mais sair de casa.

A dona, de um coração muito bom,
ia à missa
para ouvir seu sermão,
mas veja o que a impediu:
ouviu um corvo sobre si
e não quis mais sair de casa.
A dona disse: - E agora?
O padre já está pronto
e irá maldizer-me
se não me vir na igreja.
E disse o corvo: - Quá a cá
e ela não quis mais sair de casa.

Nunca vi tais agouros,
desde o dia em que nasci,
como o que ocorreu neste ano por aqui:
ela quis tentar partir,
mas ouviu um corvo sobre si
e não quis mais sair de casa.



Pero da Ponte

Quem a sua filha quiser dar
uma profissão com que
possa prosperar
há de ir a Maria Dominga,
que lhe saberá muito bem mostrar;
e vos direi o que lhe fará:
antes de um mês lhe ensinará
como rebolar as ancas.

E já lhe vejo a ensinar e sustentar
uma filha sua;
e quem observar bem suas artes
pode afirmar isto:
que de Paris até aqui
não há mulher
que rebole melhor.

E quem deseja enriquecer
não ponha sua filha a fazer
trabalhos manuais;
enquanto esta mestra aqui estiver
ela lhe ensinará a profissão certa
para que seja uma mulher rica,
a não ser que lhe faltem homens.
como rebolar as ancas.

Deve-se saber disso,
para aprender essas artes;
além disso, pode-se aprimorar
cada vez mais na profissão;
e depois que aprender tudo muito bem,
irá sustentar-se como puder;
Sustentar-se com seu próprio trabalho.



GENI E O ZEPELIM

De tudo que é nego torto,
do mangue e do cais do porto,
ela já foi namorada.
O seu corpo é dos errantes,
dos cegos, dos retirantes,
é de quem não tem mais nada.
Dá-se assim desde menina
na garagem, na cantina,
atrás do tanque, no mato.
É rainha dos detentos,
das loucas, dos lazarentos,
dos moleques do internato
e também vai amiúde
com os velhinhos sem saúde
e as viúvas sem covil.
Ela é um poço de bondade
e é por isso que a cidade
vive sempre a repetir:
Joga pedra na Geni,
ela é feita pra apanhar,
ela é boa de cuspir,
ela dá pra qualquer um,
maldita Geni.

Um dia surgiu brilhante
entre as nuvens flutuantes
um enorme zepelim;
pairou sobre os edifícios,
abriu dois mil orifícios
com dois mil canhões assim.
A cidade apavorada
se quedou paralisada
pronta pra virar geléia,
mas do zepelim gigante
desceu o seu comandante
dizendo: mudei de idéia;
quando vi nesta cidade
tanto horror, iniquidade,
resolvi tudo explodir,
mas posso evitar o drama
se aquela formosa dama
esta noite me servir.
Essa dama era Geni,
mas não pode ser Geni,
ela é feita pra apanhar,
ela é boa de cuspir,
ela dá pra qualquer um...
maldita Geni.
Mas de fato logo ela,
tão coitada, tão singela
cativar o forasteiro!
Um guerreiro tão vistoso,
tão temido e poderoso
era dela prisioneiro.
Acontece que a donzela,
isso era segredo dela,
também tinha seus caprichos:
a deitar com homem tão nobre,
tão cheiroso, a brilhar cobre,
preferia amar com os bichos.
Ao ouvir tal heresia
a cidade em romaria
foi beijar a sua mão:
o prefeito de joelhos,
o bispo de olhos vermelhos
e o banqueiro com um milhão.


Vai com ele, vai Geni,
você pode nos salvar,
você vai nos redimir,
você dá pra qualquer um...
bendita Geni.
Foram tantos os pedidos
tão sinceros, tão sentidos,
que ela dominou seu asco,
nessa noite lancinante
entregou-se a tal amante
como quem nasceu carrasco.
E ele fez tanta sujeira,
lambuzou-se a noite inteira
até ficar saciado
e nem bem amanhecia
partiu numa nuvem fria
com seu zepelim prateado.
Num suspiro aliviado
ela se virou de lado
e tentou até sorrir,
mas logo raiou o dia
e a cidade em cantoria
não deixou ela dormir.
Joga pedra na Geni,
joga bosta na Geni,
ela é feita pra apanhar,
ela é boa de cuspir,
ela dá pra qualquer um...
maldita Geni.

quarta-feira, 2 de março de 2011

CARTA ABERTA

Carta Aberta

Diferente da carta pessoal, que costuma abordar um assunto de interesse individual e pessoal dos interlocutores, a carta aberta manifesta a opinião de um grupo de pessoas, entidades, sindicatos, etc. diante de uma questão de interesse coletivo.
Ela pode servir apenas para alertar, mas geralmente visa à mobilização de forma que se encontre uma solução para o problema denunciado. Dessa maneira, tem caráter argumentativo; portanto, a persuasão é um elemento usado para elaborar a carta aberta.
Sua estrutura é formada por:
 Título, em que se identifica o destinatário (a quem a carta se dirige).
 Remetente (quem a está enviando).
 Denúncia do problema e reivindicação de medidas para resolvê-lo.
• Conclusão, em que se busca persuadir o interlocutor com a sugestão de soluções. No final, antes da assinatura, pode ainda haver local e data.
O meio pelo qual a carta aberta é divulgada depende do destinatário. Por exemplo, se o remetente pretende alertar a população mundial para o buraco na camada de ozônio, pode recorrer à internet; se o objetivo é denunciar um problema na escola, é possível utilizar um mural. Independentemente do meio, a linguagem da carta aberta costuma ser formal.

Leia, a seguir, um exemplo de Carta Aberta:
CARTA ABERTA À POPULAÇÃO

Os Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação das escolas públicas de todo o Brasil recebem valores diferentes de salários, apesar de prefeitos e governantes obterem o mesmo valor por aluno matriculado.
No dia de hoje, 25 de abril, estamos em todo o País fazendo manifestações para que todos(as) saibam e nos apóiem na luta em defesa de uma Escola Pública de Qualidade.
Esta luta inclui a formação inicial e continuada; a valorização na carreira; melhores condições de trabalho; respeito profissional e uma remuneração digna àqueles que fazem a educação de todos(as) acontecer.
Por isso, estamos exigindo um Piso Salarial Profissional Nacional que garanta condições dignas de vida e exercício de nossas profissões.
Basta de piso que precise de complemento para alcançar o salário mínimo, como é a política salarial de alguns municípios e estados do País.
Exigimos o respeito às conquistas de nossos direitos pelos governantes.
Somos nós que, com nosso trabalho, educamos para a vida os filhos e filhas dos cidadãos sul-mato-grossenses e lutamos para que as promessas de todos os governantes relativas à Educação sejam cumpridas.
Por isso, temos a certeza de contar com o apoio da sociedade para fortalecer nossa luta.
25 de abril de 2007.
FETEMS e seus 69 Sindicatos Municipais afiliados.

Fonte: livro Oficina de Redação - Editora Moderna

terça-feira, 1 de março de 2011

CONECTIVOS

CONECTIVOS


Conectivos são conjunções que ligam as orações, estabelecem a conexão entre as orações nos períodos compostos e também as preposições, que ligam um vocábulo a outro.
O período composto é formado de duas ou mais orações. Quando essas orações são independentes umas das outras, chamamos de período composto por coordenação. Essas orações podem estar justapostas (sem conectivos) ou ligadas por conjunções (= conectivos).

CONECTIVOS COORDENATIVOS são as seguintes conjunções coordenadas:

ADITIVAS (adicionam, acrescentam): e, nem (e não), também, que; e as locuções: mas também, senão também, como também...
Ela estuda e trabalha.

ADVERSATIVAS (oposição, contraste): mas, porém, todavia, contudo, entretanto, senão, que. Também as locuções: no entanto, não obstante, ainda assim, apesar disso.
Ela estuda, no entanto não trabalha.

ALTERNATIVAS (alternância): ou. Também as locuções ou... ou, ora...ora, já...já, quer...quer...
Ou ela estuda ou trabalha.

CONCLUSIVAS (sentido de conclusão em relação à oração anterior): logo, portanto, pois (posposto ao verbo).Também as locuções: por isso, por conseguinte, pelo que...
Ela estudou com dedicação, logo deverá ser aprovada.

EXPLICATIVAS (justificam a proposição da oração anterior): que, porque, porquanto...
Vamos estudar, que as provas começam amanhã.

Quando as orações dependem sintaticamente umas das outras, chamamos período composto por subordinação. Esses períodos compõem-se de uma ou mais orações principais e uma ou mais orações subordinadas.
CONECTIVOS SUBORDINATIVOS são as seguintes conjunções e locuções subordinadas:

CAUSAIS (iniciam a oração subordinada denotando causa.): que, como, pois, porque, porquanto. Também as locuções: por isso que, pois que, já que, visto que...
Ela deverá ser aprovada, pois estudou com dedicação.

COMPARATIVAS (estabelecem comparação): que, do que (depois de mais, maior, melhor ou menos, menor, pior), como... Também as locuções: tão...como, tanto...como, mais...do que, menos...do que, assim como, bem como, que nem...
Ela é mais estudiosa do que a maioria dos alunos.

CONCESSIVAS (iniciam oração que contraria a oração principal, sem impedir a ação declarada): que, embora, conquanto. Também as locuções: ainda que, mesmo que, bem que, se bem que, nem que, apesar de que, por mais que, por menos que...
Ela não foi aprovada, embora tenha estudado com dedicação.

CONDICIONAIS (indicam condição): se, caso. Também as locuções: contanto que, desde que, dado que, a menos que, a não ser que, exceto se...
Ela pode ser aprovada, se estudar com dedicação.

FINAIS (indicam finalidade): As locuções para que, a fim de que, por que...
É necessário estudar com dedicação, para que se obtenha aprovação.

TEMPORAIS (indicam circunstância de tempo): quando, apenas, enquanto...Também as locuções: antes que, depois que, logo que, assim que, desde que, sempre que...
Ela deixou de estudar com dedicação,quando foi aprovada.

CONSECUTIVAS (indicam conseqüência): que (precedido de tão, tanto, tal) e também as locuções: de modo que, de forma que, de sorte que, de maneira que...
Ela estudava tanto, que pouco tempo tinha para dedicar-se à família.

INTEGRANTES (introduzem uma oração): se, que.
Ela sabe que é importante estudar com dedicação.